terça-feira, 10 de novembro de 2009

Serendipity!




Ontem eu estava lendo um artigo na internet e me deparei com uma palavra terrível - procrastinador - que além de feia é difícil de pronunciar e escrever. Significa adiar, deixar para outra hora, fazer depois, resumindo grosseiramente, o procrastinador é um preguiçoso... mas quem não é? Eu sou muitas vezes!
Logo em seguida surgiu outra palavra - concupiscência - bah...é cada uma, heim? Significa uma espécie de desejo ardente, principalmente sexual. Bom, eu prefiro sentir essa tal de concupiscência do que ficar procrastinando por aí, enfim... Open-mouthed
Mas falando sério, eu não me vejo escrevendo um texto e usando estas duas palavras ou outras que não tem "sonoridade" ou um significado claro. Até acho bonito um texto bem escrito e com palavras que eu precise buscar no dicionário, mas meu modo de escrever é bem mais simples, mais direto. Tudo bem, eu não sou escritora, só gosto de escrever e isto faz uma grande diferença na escolha das palavras... eu acho.
Existem palavras que eu adoro e entre elas está "paradoxo". Nem é tanto pelo significado e sim pela beleza das letrinhas unidas formando um som…
 NoteP-a-r-a-d-o-x-o... NoteLinda, né não? Wink

Eu descobri há muito tempo que sou um paradoxo de mim mesma. Fernando Pessoa escreveu: "Se você tentou falhar e conseguiu, você descobriu o que é paradoxo"! Gosto de palavras que vão além do dicionário, que estão incorporadas na nossa personalidade, onde cada um interpreta como lhe convém, independente do significado. Luís de Camões fez um poema que é a perfeição e tradução do paradoxo:

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
 
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
Gosto também de "poema" "carícia", "prisma", "coração", "maresia", e tantas outras, mas a minha palavra favorita mesmo é "Serendipity".
Aham...


É uma palavra que gruda na mente, não dá pra esquecer.
Fui atrás da origem dela e descobri que remonta ao séc. XVIII quando Horace Walpole descreveu, em carta a um amigo, um conto de fadas persa sobre as aventuras de três príncipes que faziam importantes e inesperadas descobertas ao acaso enquanto viajavam pela região de Serendip (antigo Ceilão, atual Sri Lanka). Desde então, tem tradução em todas as línguas (em português - Serendipicidade) e um tradutor inglês considera uma das palavras mais difíceis, não de traduzir, mas de encontrar um sentido em determinado contexto.

 
Mas afinal, o que é Serendipity?
É o dom de fazer descobertas felizes por acaso! Bonito isto, não? Vejam só os exemplos que eu encontrei de serendipicidade pesquisando por aí:
 


  
- Na Química, quando Alfred Nobel misturou acidentalmente o collodium ( algodão do injetor) com a nitroglicerina e descobriu a Gelignite,uma espécie de explosivo.

- Na Farmacologia, Alexander Fleming por esquecimento, deixou algumas placas com culturas de estafilococos sobre a mesa, em lugar de guardá-las na geladeira ou inutilizá-las, como seria natural, isto aconteceu antes de sair em férias. Quando voltou, encontrou as culturas contaminadas com o “Penicillium molda”, que matou as bactérias, e que não era mais do que a Penicilina.


- Na Medicina quando o Dr. Georgius Papanikolau, ao estudar as bactérias do útero feminino, descobriu o teste que leva hoje em dia o seu nome, e que permite descobrir células cancerígenas no útero das mulheres.


- Foi assim que Isaac Newton, ao ver cair uma maçã de uma árvore, descobriu a teoria da gravidade.


- Cristóvão Colombo descobriu a América, quando de fato procurava a Índia.

E há milhares de exemplos pelo mundo afora!

O fato é que, a maioria das grandes descobertas, em qualquer campo que pensemos, foram frutos de felizes acasos: Serendipity. Acasos felizes.
 


E ontem no Twitter eu escrevi a seguinte frase:

"Por que é que de tanto ver, banalizamos o olhar? É preciso enxergar para viver o que há para ser visto, olhar com os olhos da alma"

Observemos.

Entenderam? Então... Serendipity para todos nós! 

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Eu faço umas associações estranhas...




Todo mundo tem suas manias. A minha é ficar mexendo no cabelo o tempo todo quando   uma das mãos está desocupada.  Eu pego um cacho do cabelo que fica acima da testa e fico enrolando. Só que isso é tão automático em mim desde criança (meu pai tem essa mania, mas só quando deita pra dormir) que eu nem percebia que ultimamente estava muito pior, até meu pulso esquerdo começou a doer por isto, acreditam?
Há dois dias meu sobrinho de 10 anos que não me chama de tia sei lá por que, fez a pergunta que me fez querer mudar de atitude:
"Du, tu tá com sono?" e eu respondi: "Não, acabei de acordar, por que Gugu?" e ele disse: "Porque tu tá enrolando o cabelo igual o vô". Eu olhei pra ele com cara de culpada e pensei: "Putz!" Nem disse nada, mas desde então tento parar porque já tá parecendo  TOC, credo!
Mas ô... que coisa difícil controlar uma mania! Quando menos espero o automático liga e lá estou eu mexendo no cabelo de novo! Mas a diferença é que agora eu percebo e estou decidida a parar. Chega a ser engraçado eu xingando a mim mesma, só não bati na minha mão ainda, mas tá faltando pouco pra isso! ahahaha

E eu faço umas associações estranhas...
Escrevendo este texto e ouvindo Maria Gadú cantando a música que ela fez em homenagem à avó dela, "Dona Cila" - tem um trecho que diz o seguinte: " O apego não quer ir embora, diaxo, ele tem que querer!"
Quando ouvi pela primeira vez chorei por toda emoção que senti na voz da Maria Gadú e por tudo que eu estava sentindo no momento.
Esta coisa de apego é séria, é insegurança pura. Eu não me apego em nada material mas me apego demais às pessoas que amo e isso gera muito sofrimento. E então  pensando  e lendo muito nos últimos dias sobre o assunto, cheguei a conclusão que devemos ter "elos" com as pessoas e não apego! O apego não passa de insegurança disfarçada de afeto. Elos são mais sinceros, mas duráveis e mais saudáveis pois estão baseados na liberdade.

Não quero mais ter essa mania besta de ficar mexendo no cabelo o tempo todo e não quero mais sentir esse apego que maltrata o coração quando é desfeito sem consentimento da minha alma.

Eu sei que vou continuar brigando com o mundo e nunca vou entender pessoas que brincam com os sentimentos dos outros. Sei que ainda vou ser fraca o suficiente para chorar, me desesperar, sofrer como um cão sem dono e continuar cometendo erros, mas quero aprender a ser "meu melhor amigo" e se tiver que me apegar a alguém de novo, que seja a mim mesma! Que eu saiba perdoar sempre, principalmente a mim, mesmo que demore,  porque preciso respeitar o meu tempo de dentro, porque cada um tem seu tempo certo de aceitação e entendimento dos fatos.

Apego, bah... ninguém merece!
E o cabelo... hehehe, se for pra dormir me permito a mania, não dá pra radicalizar também, né não?




Imagem daqui
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