Um poema (e uma música) a propósito...

15/09/2017



Não sou mais do que uma brisa,
Mas se algum dia tiveres dado por mim,
Já terei valido a pena.
E se tiveres de mim a ideia de uma brisa serena
Então a minha vida terá sido plena.


Vim ao mundo montando um cavalo de guerra
Mas não trouxe a guerra comigo.
Trouxe apenas a ideia de que cavalos de guerra
Também sabem viver em paz
E soldados montados em cavalos de guerra
Podem ser excelentes semeadores.


Vim semear brisas. Vim, munido de penas,
As minhas palavras são açucenas
São regatos, searas e tudo quanto vês
Com a alma.
No dia em que partir
Deixar-te-ei o meu cavalo
Para que ele te ensine
Tudo quanto me ensinou.
Que tal como os homens, aprendem apenas
Que o vento nas crinas é o mais feliz.
Essa brisa serena que ri nas searas, que beija muralhas e lambris
Como beija aquela que se ama e aquela que no-lo diz
Numa brisa. Essa que agora passou. Essa que agora brincou
Com os teus cabelos, com a tua saia…
Se a sentiste era eu que te beijava
Montado no meu cavalo de paz.



| Emílio Miranda em 22/4/2015 |






Vai ter sarau no céu!

12/09/2017



Aconteceu há cinco anos, num sarau que fazia parte da feira do livro aqui de Porto Alegre, onde eu tive oportunidade de conhecer pessoalmente a Carmen Silvia Presotto do excelente Vidráguas (éramos parceiras de blog desde 2008). Na ocasião, a minha irmãzinha Natália estava comigo e foi ela quem participou de verdade do evento, leu em voz alta um poema muito lindo em espanhol. Já eu me limitei a assistir, sou tímida demais pra declamar poesia em voz alta e em público nem pensar! A Carmen, que respirava poesia, que era um poema de pessoa, até insistiu pra eu ler, mas quem me conhece já sabe que não nasci para os palcos da vida. Sabe quando você morre de vontade de fazer uma coisa mas não tem coragem? Pois é, naquele dia eu me senti impotente e frustrada assim assistindo a Carmem, a Natália e todas as outras declamando lindamente e eu ali, suando frio por medo de ler, que vergonha! Foi o primeiro sarau da minha vida e eu sei que nunca mais vou esquecer.

Mas por que eu lembrei? Hoje cedinho li uma postagem de um amigo em comum lamentando a morte da Carmen, que lutava contra um câncer... Deus, que doença maldita! Ela partiu cedo, muito cedo... e eu ainda não aprendi a lidar com a morte de ninguém, então me sinto bem triste, mas ao mesmo tempo tenho em mim esta lembrança delicada  e bonita dela na minha vida. 

Vai ter sarau bonito no céu... Evoé, querida Carmen!
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