13 de fevereiro de 2012

A indiferença nossa de cada dia

indiferenca2

Nem Assim

Quem dera eu
ser egoísta, narcisista
ter a linguagem dos maus
fugindo da felicidade
me arremessando
para o lado da desgraça...
Quem dera eu,
ser masoquista, anarquista
odiar o mundo todo, a vida
afugentar os pássaros
destruir as flores...
Quem dera eu,
ter um coração de pedra
e ferir com um olhar
quem por mim passar
só pra você perceber que eu existo
e, ao menos,
me odiar.
Mas,
nem isso...

[Du - poeminha de 1990]

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O que é indiferença?

Seria um desvio de comportamento, um costume, uma forma de sobrevivência, um mecanismo de defesa, de resistência, ou consequência do egoísmo e do medo? O fato é que todos nós, uns mais outros menos, somos indiferentes, "passamos ao largo" de muitas coisas, realidades, fatos e pessoas, em algumas situações, até de nós mesmos. A indiferença tem um poder devastador. Ela é a companheira doentia do dominador e opressor, também dos que preferem as desigualdades, a violência, o ódio e a morte. Os indiferentes, de uma forma ou de outra, ferem, rejeitam, excluem, matam. Está correta a conclusão: o contrário do amor não é o ódio, mas a indiferença.

[Guilherme Lieven]

indiferenca

“Se eu morrer, morre comigo um certo modo de ver, disse o poeta. Um poeta é só isso: um certo modo de ver. O diabo é que, de tanto ver, a gente banaliza o olhar... vê, não vendo. Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia sem ver. Parece fácil, mas não é. O que nos é familiar, já não desperta curiosidade. O campo visual da nossa rotina é como um vazio. Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta. Se alguém lhe perguntar o que é que você vê no seu caminho, você não sabe. De tanto ver, você não vê. Sei de um profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo porteiro. Dava-lhe bom-dia e, às vezes, lhe passava um recado ou uma correspondência. Um dia, o porteiro cometeu a descortesia de falecer. Como era ele? Sua cara, sua voz, como se vestia? Não fazia a mínima ideia. Em 32 anos, nunca o viu. Para ser notado, o porteiro teve que morrer. Se um dia, no seu lugar estivesse uma girafa cumprindo o rito, pode ser que ninguém desse por sua ausência. O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem. Mas, há sempre o que ver: gente, coisas, bichos. E vemos? Não, não vemos. Uma criança vê o que um adulto não vê., pois tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que, de tão visto, ninguém vê. Há pai que nunca viu o próprio filho, marido que nunca viu a própria mulher. Isso exige muito. Nossos olhos se gastam no dia-a-dia. É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença.”

[Texto de Otto Lara Resende]

Fonte das imagens: Daqui, daqui e daqui.
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12 de fevereiro de 2012

Um texto racista!



As pessoas que separam cachorros por raças fazem isso porque acreditam que uma raça vale mais que a outra. Eles acreditam mesmo nisso. Ganham dinheiro com isso. Movimentam um mercado. Dividir uma espécie por raças nada mais é do que racismo.

Sinceramente acredito que todo cachorro é cachorro e que toda pessoa é pessoa. E dentro disso não entendo como alguém que morde seu sapato, encoxa sua perna e caga no seu tapete pode ser considerado o melhor amigo do homem.

Se você me disser que é da raça negra preciso dizer que você tambem é racista, pois, assim como os criadores de cachorros, acredita que somos separados por raças. E se acredita nisso vai ter que confessar que uma raça é melhor ou pior que a outra. Pois se todas raças são iguais então a divisão por raça é estúpida e desnecessária. Pra que perder tempo separando algo se no fundo dá tudo no mesmo?

Quem propagou com muito entusiasmo a idéia que "negro" é uma raça foram os escravistas. Eles usaram isso como desculpa para vender os pretos como escravos: "Podemos trata-los como animais, afinal eles são de uma outra raça que não é a nossa. Eles são da raça negra". Então quando vejo um cara dizendo que tem orgulho em ser da raça negra eu juro que nem me passa pela cabeça chama-lo de macaco. E sim de burro.

Falando em burro, cresci ouvindo que eu sou uma girafa. E também cresci chamando um dos meus melhores amigos de elefante. Já ouvi muita gente chamar loira caucasiana de burra, gay de viado e ruivo de salsicha, que nada mais é do que ser chamado de restos de porco e boi misturados.

Mas se alguém chama um preto de macaco é crucificado. E isso pra mim não faz sentido. Qual o preconceito com o macaco? Imagina no zoológico como o macaco não deve se sentir triste quando ouve os outros animais comentando:
- O macaco é o pior de todos. Quando um humano se xinga de burro ou elefante dão risada. Mas quando xingam de macaco vão presos. Ser macaco é uma coisa terrível. Graças a Deus não somos macacos.

Prefiro ser chamado de macaco do que de girafa. Peça para um cientista fazer um teste de Q.I. com uma girafa e com um macaco. Veja quem tira a maior nota.

Quando queremos muito ofender e atacar alguém, por motivos desconhecidos, não xingamos diretamente a pessoa e sim a mãe dela. Posso afirmar aqui então que Darwin foi o maior racista da história por dizer que eu vim do macaco?

Se o assunto é cor eu defendo a idéia que o mundo é uma caixa de lápis coloridos. Somos os lápis dessa caixa. Um lápis é menos lápis que o outro só porque a cor é diferente? Eu desenho desde criança, então acredite em mim: Não mesmo. Todas essas cores são de igual importância. Ok. Ok. Foi uma comparação idiota. Confesso. Os lápis são todos do mesmo tamanho na caixa. E no mundo real o lápis preto é bem maior que o amarelo.

Mas o que quero dizer é que na verdade não sei qual o problema em chamar um preto de preto. Esse é o nome da cor não é? Eu sou um ser humano da cor branca. O japonês da cor amarela. O índio da cor vermelha. O africano da cor preta. Se querem igualdade deveriam assumir o termo "preto" pois esse é o nome da cor. Não fica destoante isso: "Branco, Amarelo, Vermelho, Negro"?. O Darth Vader pra mim é negro. Mas o Bill Cosby, Richard Pryor e Eddie Murphy que inspiram meu trabalho não. Mas se gostam tanto assim do termo negro, ok, eu uso, não vejo problemas. No fim das contas é só uma palavra. E embora o dicionário seja um dos livros mais vendidos do mundo, penso que palavras não definem muitas coisas e sim atitudes.

Digo isso porque a patrulha do politicamente correto é tão imbecil e superficial que tenho absoluta certeza que serei censurado se um dia escutarem eu dizer: "E aí seu PRETO, senta aqui e toma uma comigo!". Porém, se eu usar o tom correto e a postura certa ao dizer "Desculpe meu querido, mas já que é um afro-descendente é melhor evitar sentar aqui. Mas eu arrumo uma outra mesa muito mais bonita pra você!" sei que receberei elogios dessas mesmas pessoas, afinal eu usei os termos politicamentes corretos e não a palavra "preto" ou "macaco", que são palavras tão horríveis.

Os politicamentes corretos acham que são como o Superman, o cara dotado de dons superiores, que vai defender os fracos, oprimidos e impotentes. E acredite. Isso é racismo, pois transmite a idéia de superioridade que essas pessoas sentem em relação aos seus "defendidos".

Agora peço que não sejam racistas comigo por favor. Nao é só porque eu sou branco que eu escravizei um preto. Eu juro que nunca fiz nada parecido com isso nem mesmo em pensamento. Não tenham esse preconceito comigo. Na verdade sou ítalo-descente. Italianos não escravizaram africanos no Brasil. Vieram pra cá e assim como os pretos trabalharam na lavoura. A diferença é que Escrava Isaura fez mais sucesso que Terra Nostra.

Ok. O que acabei de dizer foi uma piada de mal gosto porque eu não disse nela como os pretos sofreram mais que os italianos. Ok. Eu sei que os negros sofreram mais que qualquer raça no Brasil. Foram chicoteados. Torturados. Foi algo tão desumano que só um ser humano seria capaz de fazer igual. Brancos caçaram negros como animais. Mas também os compraram de outros negros. Sim. Ser dono de escravo nunca foi privilégio caucasiano e sim da sociedade dominante. Na África, uma tribo vencedora escravizava a outra e as vendia para os brancos sujos.

Lembra que eu disse que era ítalo-descendente? Então. Os italianos não escravizaram os pretos, mas os romanos escravizaram os judeus. E eles já se vingaram de mim com juros e correção monetária, pois já fui escravo durante anos de um carnê das Casas Bahia.

Se é engraçado piada de gay e gordo, porque não é a de preto? Porque foram escravos no passado hoje são café-com-leite no mundo do humor? É isso? Eu posso fazer a piada com gay só porque seus ancestrais nunca foram escravos? Pense bem, talvez o gay na infância também tenha sofrido abusos de alguém com o chicote.

Se você acha que vai impor respeito me obrigando a usar o termo "negro" ou "afro-descendente", tudo bem, eu posso fazer isso só pra agradar. Na minha cabeça você será apenas preto e eu branco, da mesma raça, a raça humana. E você nunca me verá por aí com uma camiseta escrita "100% humano", pois não tenho orgulho nenhum de ser dessa raça.


Confesso que nunca tinha lido nada escrito pelo Danilo Gentili, só o conhecia mesmo por ter assistido alguns programas do CQC. De todos os apresentadores, só gostava dele pela irreverência e cara-de-pau nas entrevistas com os políticos, sempre foi o mais engraçado, pelo menos na minha opinião. Agora, depois de muito tempo sem ligar a televisão,  dei uma olhada no blog do cara e não resisti em trazer o texto acima pra cá, pois achei EXCELENTE! Ele, além de tudo é inteligente. Pois é... e o site dele é FANTÁSTICO -  Confiram!
 [Du]
Primeira imagem, do blog do Danilo
Foto daqui
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10 de fevereiro de 2012

Wireless Acer Emachines!


Há dois meses mais ou menos comprei um notebook da Acer Emachines (E443-0850) e fiquei encantada com ele, porém veio com um grave defeito, só habilitava a conexão wireless (que eu uso em casa) quando ficava  MUITO  próximo do modem. No quarto era impossível conectar já que o modem fica na sala... tentei praticamente tudo nas configurações e nunca consegui resolver o problema. Hoje irritada, fui procurar ajuda no site da Emachines e só encontrei um número de SP para assistência técnica. Morando no RS, esta ligação seria inviável, já que não era nenhum 0800... então comecei a pesquisar na internet (na sala, óbvio) sobre drivers, quando encontrei um blog que resolveu meu problema como num passe de mágica! A solução foi tão simples que até agora estou meio boba escrevendo este post deitada na minha cama e vendo a conexão "bombando"!

Vou colocar o post do  Tomás D. Zandoná, profissional em TI na íntegra aqui pra você que pode estar com o mesmo problema. A dica é muito simples e o melhor de tudo, pelo que li nos comentários sobre o post no blog dele, funciona com qualquer modelo do Emachine!

Pessoal!
Para aqueles que compraram um Acer Emachines E443-BZ684 e estiverem com vontade de dar uma martelada em cima do mesmo pois não conseguem pegar a internet sem fio nem do lado do roteador wireless, aqui vai uma dica…
Ao invés de usar o martelo, usem uma chave philips para resolver este problema… (acho que não é necessário pedir que tomem cuidado com as peças e energia estática, certo!?)
Abram a tampa inferior do notebook desparafusando os 2 parafusos e levantando a tampa com cuidado pra não estragar as orelhas de fixação, e troquem o cabo da antena que esta no canal 1 para o canal 2, deixando o cabo conforme a figura.

Espero ter ajudado.
Att.

Ajudou e MUITO Tomás, obrigada! 



Fonte da primeira imagem, daqui
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9 de fevereiro de 2012

Experiências de amor/vida...



"Você plantou em mim um palmo de angústia e agora não sei como lidar com este sentimento..." 
[... sei lá por quê, hoje acordei com esta frase na mente - inspiração para o texto...]

Ilusões desencontradas provocam decepções desnecessárias, não? Seria tão mais fácil se todas as "metades" perdidas se encaixassem de uma vez por todas... incoerências à parte, não restariam mais sonhos de amor... 

O mundo é tão mais bonito quando visto com olhos de céu. Imensidão e horizonte são sinônimos de esperança, assim como o arco-íris, por isso precisamos do alimento dos sonhos, não há como fugir deles, por mais que tentemos. 

O que aprendi com a vida é que a gente ama de todas as formas possíveis, várias vezes, e todas são diferentes entre si. Não acredito em um "único amor", nem que o "primeiro amor" seja o definitivo. Acredito sim, que o último seja, e este só chega com a maturidade (que não tem a ver com idade, mas com experiências de amor/vida). 

Eu sempre esperei meu "ultimo amor" - o mesmo que envelhecer de mãos dadas. Garanto que  é melhor e mais bonito que qualquer amor que conhecemos durante nossa jornada na terra. É claro que não falo aqui do amor entre pais e filhos e sim, entre homens e mulheres (que não há como ser incondicional, pelo menos no meu ponto de vista).

Que não seja incondicional, mas que seja verdadeiro de corpo e alma, é o que importa!

[Du]

Fonte da imagem
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8 de fevereiro de 2012

Há uma grande diferença...

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7 de fevereiro de 2012

Fragmentos de Gaiarsa

O corpo - esse desconhecido
Enquanto nossa inteligência de Civilizados tem 10.000 anos de existência, nosso corpo é o de um…animal que ja está por aqui ha 2 milhões de anos… Não seria bom conhecê-lo mais de perto? Quem sabe ele tem o que nos ensinar...

Como dar vida ao corpo 

Não morremos de velhice nem de doenças. Morremos pela monotonia de vida que mal usa 5% de nossa versatilidade de movimentos; e vivemos falando – o que nos sufoca. Faremos o corpo se mexer de mil maneiras e respirar o tempo todo. Os participantes poderão sentir o que palavras jamais dirão. (esse trecho faz parte do preâmbulo de uma palestra que ele ministrou).



PELE COM PELE! 
CONTATO MESMO? SÓ PELE COM PELE!

Como eu já disse, com palavras apenas o contato é mínimo. Com o olhar, ele aumenta bastante. Mas o contato real se faz pele com pele (penso cá comigo: com-tato só pode ser feito pelo tato) ... então me dê um abraço de despedida e sinta seu coração bater junto ao meu... só isso, e silêncio.

Palavras, Palavras, Palavras... 
O pecado maior de todas as psicologias, embora eu não possa dizer que conheço todas, é que ignoram a relação do olhar, que as pessoas têm um corpo e que esse animal tem 2 milhões de anos. Por isso, a humanidade está se perdendo, por causa das palavras.

As histéricas são mulheres muito vivas

"No início Freud foi estudar Neurofisiologia, só depois veio para a clínica. E ele notou duas espécies básicas daquele tempo: as mulheres, que classificou de histéricas, e os homens, que definiu como obsessivos compulsivos. Então, quase tudo na Psicanálise gira em torno disso. Mas acontece que as histéricas são mulheres muito vivas, num mundo de múmias."

Em família você pode fazer o diabo e ninguém diz nada.

A maior charada com que eu briguei na vida, não esqueçam que 50 anos de psicoterapia quer dizer 50 anos ouvindo queixas sobre a família. Eu fiquei surpreso ao constatar que a família é o único lugar do mundo onde está autorizada a agressão. Porque em família você pode fazer o diabo e ninguém diz nada. Marido e mulher podem se estraçalhar anos a fio. Tanto os que se estraçalham de pancadas como os que se estraçalham com o olhar, frases e tudo mais.

Rede universal de solidariedade na ansiedade

Quando angustiados, entramos em uma espécie de imobilidade: baixa o nível respiratório e a redução de oxigênio no cérebro leva à diminuição da capacidade de coordenação. “O cérebro perde o piloto, então entra em pânico, não sabe o que está fazendo”.

Ironicamente, a pessoa em angústia tende a entrar num círculo vicioso: fica aflita, baixa a respiração, começa a falar para aliviar, mas, com isso, restringe mais a respiração. “Quando falo, eternizo a ansiedade”, constata Gaiarsa. “Mas a primeira coisa que a pessoa faz, quando começa a sufocar, é pegar o celular e conversar com alguém. É a rede universal de solidariedade na ansiedade. 

Gaiarsa: A crueldade humana é gratuita

Deus que me perdoe, mas se me fosse dado escolher – você quer uma câmara de gás ou um navio negreiro? – eu escolheria a câmara de gás. Não tem limites a crueldade humana. E eu insisto, é gratuita. Não tem por quê, nem para quê. Aliás, os filmes hoje, talvez mais os americanos, são de uma brutalidade indescritível. Eles despedaçam o camarada com a câmera em cima. E se eles fazem isso, é porque tem audiência.

O Inconsciente é visível

Passei a estudar Reich – ele olhava para o paciente e assim começou a perceber que o inconsciente é visível – porque as pessoas mostram na expressão não-verbal (faces, gestos, atitudes) tudo o que acreditam estar escondendo...” Quase todas as pessoas que se vêem gravadas em teipe mostram muita estranheza com a própria aparência e a psicologia ignora esse fato básico: meu rosto, que eu desconheço, é quase tudo o que o outro vê de mim.

Diálogo terapêutico

"Ao contrário do que se diz, o diálogo tido como terapêutico é bem parecido com qualquer outro, desde que ambos os participantes estejam interessados um no outro." ( no livro: O Olhar, pg 55)

Medo - principalmente do Outro

A mim parece que sofremos de mania de pequenez.
Qual o homem que se assume em toda a sua grandeza natural? Em vez de admirar, nós invejamos - por não termos coragem de fazer o que a nossa estrela determina.
O Medo - eis o inimigo.
O medo, principalmente do outro, que observa atentamente tudo o que fazemos - sempre pronto a criticar, a condenar, a pôr restrições - porque fazemos diferente dele.

O controle do Sexo

O psicoterapeuta e escritor José Ângelo Gaiarsa diz que uma das explicações possíveis para tanto controle da sexualidade alheia reside no fato de que, quanto mais o indivíduo amplia, aprofunda e diversifica sua vida sexual — e isso significa transgredir —, mais coragem ganha para fazer outras coisas, questionar outros valores. Começa a viver com maior vontade e decisão. Pode começar a se tornar perigoso. Ele conclui que não deve ser à toa nem por acaso que as forças repressoras de todas as épocas se voltaram tão sistemática e precisamente contra a sexualidade humana.

Até os 4 anos

"Até os 4 anos, mais ou menos, a criança aprende 90% de tudo que vai saber a vida inteira, e o volume do cérebro, nessa idade, já está com 90% de sseu volume final. Se você compara o cérebro de uma criança de 4 anos com um de adulto não dá nem para notar a diferença.

"A partir daí, ou pouco depois, a criança entra na escola e seus movimentos são limitados brutalmente. E começa o blá, blá, blá, o aprendizado só pela palavra. E a partir daí vamos virando autômatos... A palavra tem um valor apenas genérico, estatístico... Se eu falo para você, por exemplo, peguei a tesoura e coloquei na mesa. Se você não estiver vendo o que estou falando, com certeza a minha tesoura e a minha mesa não terão nada a ver com a tesoura e a mesa que estão na sua cabeça. Só quando eu te mostro a tesoura e a mesa das quais estou falando é que nós vamos ter uma comunicação efetiva.

20% das Informações tem alguma utilidade

O psiquiatra Ângelo Gaiarsa é um estudioso da alma humana. Polêmico, não se limita aos temas clássicos da psicologia acadêmica - tanto que, entre os assuntos de seu interesse que viraram livros, encontramos um curioso Tratado Geral sobre a Fofoca. Gaiarsa interessa-se pelo cotidiano das pessoas. Ele nos informa, por exemplo, que sua observação detectou que apenas 20% das informações trocadas entre as pessoas em qualquer ambiente têm realmente alguma utilidade. O resto é futilidade, é falar por falar. Nesse conjunto, a fofoca reina soberana. Pertencem ao mesmo grupo coisas como falar do chefe, da mulher do amigo ou de tal atriz, sugerindo que todos eles não são o que parecem ser, mas o que tentam esconder.

Psicologia Dinâmica

Proponho um tema para meditação profunda; é a lição mais fundamental de toda a Psicologia Dinâmica:

Só sabemos fazer o que foi feito conosco.
Só conseguimos tratar bem os demais se fomos bem tratados.
Só sabemos nos tratar bem se fomos bem tratados.
Se só fomos ignorados, só sabemos ignorar.
Se só fomos odiados, só sabemos odiar.
Se fomos maltratados, só sabemos maltratar.
Não há como fugir desta engrenagem de aço: ninguém é feliz sozinho.

As Carícias e o Iluminado

Ah! Os outros...
(Fossem todos como eu, tão bem-comportados, tão educados, tão finos de sentimentos...) O que não se compreende é como há tanta maldade num mundo feito somente de gente que se considera tão boa. Deveras, não se compreende.
Menos ainda se compreende que de tantas famílias perfeitas - a família de cada um é sempre ótima - acabe acontecendo um mundo tão infernalmente péssimo.
Ah! Os outros... Se eles não fossem tão maus - como seria bom...

Sexo bem devagar

A humanidade continua a fazer sexo da pior forma possível. E o que aparece na TV é a banalização do sexo, mostra como não se deve fazer. Em entrevista à revista Isto É do dia 1º de março de 2000, o psicoterapeuta Gaiarsa aconselha aos pais que no momento oportuno digam para seus filhos fazerem sexo bem devagar. "Quanto mais comprido, quanto mais carícias, melhor. Diria para ir percebendo, olhando, mexendo, brincando com calma, sem pressa, sem ansiedade".

O Espelho Mágico

“Reich se esforçava para que Freud enxergar-se que, tudo que ele via no neurótico, era na verdade da estrutura social”

José Ângelo Gaiarsa, psicanalista brasileiro, foi mas além. O psicanalista dizia que Freud , Reich e Jung não conheceram a atual civilização que teve inicio com a era do rádio. Gaiarsa estudou profundamente Freud e Jung , e ao fim de 10 anos acabou se enfastiando pela repetição e pelo fato de não ter encontrado referencias ao corpo. Quando conheceu Reich e sua teoria de que a análise só pode ser completa com a observação das reações corporais do individuo, Gaiarsa se encantou, pois nas palavras do mesmo:

“Freud negligenciava a relação visual com seus pacientes. Reich começou a falar com o camarada... observando suas reações corporais. Percebeu então que o inconsciente do qual Reich falava, era inconsciente pra pessoa e não para quem observava”

Desde então o foco da linguagem corporal analisada por Gaiarsa tornou-se a cara. Diferente da psicologia usual, Gaiarsa não só analisa o que foi dito pelo paciente, mas com que expressão e atitude foi dito. Gaiarsa julgava a visão da dependência infantil de Freud como a base do caráter autoritário da sociedade. Enquanto Freud se preocupava com as estruturas psíquicas de maneira a materializar a mente , e Jung se preocupava com as estruturas arquetípicas espiritualizando a mente, Gaiarsa propõe ,assim como Reich, a queda do pensamento desagregador de mente e espírito. Gaiarsa atacava a dicotomia, afirmando ser as duas coisas expressões da mesma coisa.




Mas é a cara do individuo que mas interessa o psicanalista, essa que constantemente olhamos e não vemos no espelho. Em seu livro “O espelho mágico” , Gaiarsa afirma que a cara do individuo vê no espelho, é aquela que ele quer ver, sendo o outro mas propicio a conhecer o rosto alheio do que o dele mesmo e vice versa. O corpo fala, basta olharmos bem! Para o bom observador todo mundo está nu sendo-lhe possível saber quem e porque é o individuo, que tipo de repressão sofreu e a que tipo de comportamento rebelde ou submisso essa repressão o levou! A esse conjunto de reações corporais que vai dês da postura aos pequenos gestos, Reich chamou de “couraça muscular do caráter"... É a nossa mascara e armadura social, nossa defesa e refugio... é a tensão que se mantem no corpo culminando naquilo que gostaríamos que o outro visse!

De nos mesmos temos pouco, e o muito que nos foi dado pelo fenômeno chamado identificação, nos leva ao desprezo pelo corpo, ao esforço Maximo por adornar a periferia para não vermos aqui fora o espelho do que existe dentro.

Quando lemos o outro, quando vemos que o que a boca diz não é o que o corpo fala, geralmente enxergamos um em detrimento do outro, tamanha a nossa alienação...

Não há recíproca de entendimento porque, quanto mas entendemos o outro menos conciliáveis se tornam as contradições.Estamos sempre prontos a compensar oque vemos com os dados fornecidos pela pertinência de nossa educação e postura diante da sociedade. Maquiamos as deformações que percebemos e engolimos a seco.Sempre estamos prontos a negar oque vemos...

Já dizia Hittler , “ As massas são estúpidas, precisam de alguém para guia-las” e tendo o mesmo provado na pratica o que disse, levando toda a Alemanha a apoiar um genocídio de proporções dantescas, há de se concluir que essa relação de estranhamento se dá a nível macro e micro! Estamos sempre prontos a reconhecer a beleza do outro, a feiúra do outro, o sucesso do outro, o fracasso do outro, mas sempre encaramos as nossas próprias questões como se fossem passagens da vida de outrem! Vemos com muita clareza o lixo do outro , mas a sujeira de nossos próprios porões nos é obscura!.

Gaiarsa aponta a doença, e propõe o tratamento. É preciso erotizar a sociedade e assumir o corpo.

É necessário e urgente abolir os uniformes e a uniformidade.

É necessário romper com as noções de bem e mal vigentes.

Temos que assumir a metade rejeitada...

"...Morro de desespero quando vejo na TV e/ou em conversas, a sexualidade tratada como um problema simples que basta "explicar" para que as pessoas resolvam todos os seus problemas e temores. Para mim, o pior que pode acontecer com a sexualidade é a sua BANALIZAÇÃO!
É algo assim como tratar um LEÃO como se ele fosse um cachorrinho. A banalização da sexualidade é a maior defesa que usamos- coletivamente- contra ELA. É sexo, ora! E admitem todos que não é preciso dizer mas nada. Que é o que se pretende desde o começo. Não mas maldito, APENAS INSIGNIFICANTE. Uma coisa simples e fácil que a gente  faz e esquece - como comer, dormir, respirar, andar. Enquanto não se aceitar oque o SEXO É - NA EVOLUÇÃO DA HUMANIDADE - A RAIZ DO AMOR E DA SALVAÇÃO - da RELAÇÃO entre as pessoas - Estamos continuamente ameaçados pela BOMBA..."


Leia mais sobre José Ângelo Gaiarsa AQUI.

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6 de fevereiro de 2012

A Diva do Jazz


Ella Fitzgerald nasceu no dia 25 de abril de 1917 em Newport News, Virginia, em uma família muito humilde. Não há referências sobre seu pai. Sua mãe era lavadeira e voltou a casar-se com um português. Quando ainda era pequena, a família se mudou para Yonkers, uma localidade de New Jersey, situada diante de New York, na outra margem do rio Hudson. Não existem detalhes sobre essa época de sua vida. Sabe-se que, na adolescência, uma Ella grande e gordinha, sonhava em ser dançarina e não dava grande importância ao seu talento natural como vocalista.

Aos 16 anos, animada pela mãe, inscreve-se para concorrer como dançarina no famoso Amateur Night Show. Porém, ao pisar no palco, fica paralisada de medo e prefere cantar. Todos ficam entusiasmados com sua voz e sua afinação. Ela leva o primeiro prêmio e, a partir daí, vários olheiros insistirão junto aos líderes das big bands para contratá-la. Não demora muito para que o baterista Chick Webb a transforme na cantora titular de sua orquestra, uma das mais famosas de então. Ella seria sempre fiel a ele, recusando várias propostas de trabalho.

Durante a segunda metade dos anos trinta sua fama se consolida rapidamente: Rock it for me, A-Tisket, A-Tasket, My heart belongs to daddy são alguns dos sucessos que a catapultam ao topo e faz surgir o título de First Lady of Song (Primeira Dama da Canção). Em junho de 1939, Chick Webb morre e Ella assume a direção da banda, que viria a se desfazer em 1942. Durante o restante da década de 40, o selo Decca Records capitaliza sua celebridade gravando-a em companhia de grupos vocais da moda. Ella também canta com Louis Jordan, Louis Armstrong, Duke Ellington e Dizzy Gillespie, dentre outros nomes famosos. Percorre várias vezes os Estados Unidos e o mundo, encantando a todos por onde quer que passe, até 1957, quando sofre uma crise nervosa por esgotamento. Recuperada, insiste no mesmo estilo desenfreado de apresentações até 1965, quando tem outra crise nervosa. A partir de então, o ritmo de apresentações vai diminuindo, até que que depois de 1975, um ano cheio delas, sua saúde começa a piorar devido a diabetes. Em 1983 faz uma última grande turnê pela Europa.

Em toda a História do jazz, nunca houve uma vocalista com tanto tempo de estrada, com tantos “serviços prestados”. Nenhuma também conseguiu alcançar e manter durante tanto tempo o mesmo nível de popularidade. Ella Fitzgeral morreu aos 78 anos, no dia 15 de junho de 1996, em sua casa, rodeada pela família e por seus amigos.

Dream a Little Dream of Me by Ella Fitzgerald on Grooveshark


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5 de fevereiro de 2012

A Lenda de Kuan Yin, bodhisattwa da Compaixão

Segundo a tradição, Kuan Yin teria encarnado como a terceira filha de Miao Chuang Wang, identificado como sendo da dinastia Chou, governante de um reino do norte da China, por volta do ano 696 a.C.
De acordo com a lenda, ela se determinara a seguir uma vida religiosa, tendo se recusado a casar, apesar das ordens do seu pai, e das súplicas dos seus amigos. Ela sai de casa e se refugia num convento.


Kuan Yin: uma vida de provações

Por ordens do seu pai, foi submetida às mais árduas tarefas, e, de forma alguma, enfraqueceram o seu amor por Deus.
Enraivecido pela sua devoção, seu pai ordenou que fosse executada. Porém, espada foi quebrada em mil pedaços quando a tocou. Seu pai então ordenou que fosse asfixiada, mas quando a sua alma deixou o seu corpo, e desceu até o inferno, transformou-o num paraíso.
Neste momento, ela parou para ouvir os lamentos do mundo e decidiu retornar.
Transportada numa flor-de-lótus até a Ilha de P’ootoo, próxima a Nimpo, aí viveu durante nove anos, curando os enfermos, e salvando marinheiros do naufrágio.

A origem dos mil braços e mil olhos de Kuan Yin

Certa vez, quando soube que seu pai estava muito doente, cortou um pedaço da carne dos seus braços, e usou-a como um remédio que lhe salvou a vida.
Em gratidão, ele ordenou que uma estátua fosse erguida em sua honra, comissionando ao artista que a representasse com ‘olhos e braços completamente formados’.
Entretanto, o artista compreendeu mal, e até hoje Kuan Yin algumas vezes aparece representada com ‘mil braços e mil olhos’, sendo capaz, dessa forma, de olhar e cuidar de todo o seu povo.

Kuan Yin e sua missão de salvar o mundo do sofrimento

Kuan Yin fez o voto do bodhisattwa de trabalhar junto às evoluções deste planeta e diz que“enquanto houver uma única alma sofrendo na Terra, ela estará presente”.

A grande lição de Kuan Yin

Antes de sair de casa, para se refugiar no convento, Kuan Yin disse às suas irmãs:
“Riquezas e glória são como a chuva na primavera, ou o orvalho pela manhã; duram apenas pouco tempo, e logo passam”.
Reis e imperadores pensam em desfrutar até o final da boa fortuna que os coloca em um nível separado dos demais seres humanos; mas a enfermidade os faz descansar em seus caixões, e tudo acaba. Onde estão agora todas as poderosas dinastias que estabeleceram a lei do mundo?
Com relação a mim, desejo nada mais do que um retiro pacífico em uma montanha isolada, na tentativa de atingir a perfeição. Se algum dia conseguir alcançar um grau elevado de bondade, então, carregada nas nuvens do céu, viajarei por todo o universo, passando do Oriente ao Ocidente num piscar de olhos.
Resgatarei meu pai e minha mãe, e os levarei ao céu; salvarei os miseráveis e afligidos na Terra; converterei os espíritos que praticam o mal, e os farei praticar o bem. Essa é minha única ambição.”

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3 de fevereiro de 2012

Instalando asas!


As pessoas que pensam, podem voar e podem ir mais longe, não que seja necessário voar, o necessário é instalar asas... Então que você voe, mas que não fuja, porque fugir é o que mais cansa... então que você sonhe, mas que continue com os pés no chão. Por que?  Ora...caminhar (continuar) é preciso!

[Du]

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2 de fevereiro de 2012

Socorro!


Hoje estou lá na Confraria dos Trouxas, um blog que eu adoro por unir duas coisas que eu amo muito - música e poesia/prosa. São seis blogueiros/escritores que admiro demais! Cada um deles escreve sobre uma música que é escolhida para a semana e os posts são muito legais e interessantes (vale conferir!). 

Nesta semana cada um deles convidou outro blogueiro para escrever sobre a música da semana - "Socorro" do Arnaldo Antunes, que por um acaso muito feliz, admiro muito! Quem me convidou para escrever hoje foi o escritor poet'amigo Denison Mendes, do blog BAH!RBOLETRAS. Se ainda não leram o livro dele, o BONSAIS ATÔMICOS, comprem pelo email vendas@editoramultifoco.com.br - Recomendo, o livro é lindo em todos os sentidos! 

A responsabilidade foi grande, mas aceitei o convite/desafio... quer conferir o resultado?

Clica AQUI, te espero!

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Socorro by Arnaldo Antunes on Grooveshark
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1 de fevereiro de 2012

Cronicando com @suzannamartins!

[ Escrito por mim e Suzana Martins em 24/04/2009 para uma grande amiga!] 



Carolina Guerreira

Pense em alguém que era muito feliz - esta sempre foi Carolina.
Hoje as coisas mudaram e as mudanças foram inerentes à sua vontade, elas aconteceram sem sua permissão.
O mais importante de tudo é o sentimento de plenitude que surgiu nela, independente de qualquer coisa, houve esperança e houve vida.

Sonha com a alegria de ter seus anseios libertados de toda e qualquer fuga. Não existem problemas capazes de superar a felicidade de um amor plenamente correspondido e aceito. Não importam as diferenças, não importa a distância. Só o que importa é vencer qualquer obstáculo que vier pela frente e acreditar no amanhã que já começou. Ela é como uma estrela que nasceu de novo e agora volta a brilhar, se descobriu como a borboleta que saiu do casulo, saiu voando para a vida mais longa que já existiu.
E agora, Carolina dança e encanta... e assim esquece.
Blusa colada no corpo acentuando suas curvas e os seios fartos e firmes. Saia longa, colorida e rendada. Lenço nos cabelos. Perfume transbordando em intenções de pecado. Batom iluminando os lábios. Calor na alma dançando através do corpo...

Sob um jogo de luzes a música embalava num movimento apaixonante e sedutor. O salão era único, apenas seus passos deslizavam pelos compassos daquela pista de dança. Seu corpo seguia os acordes atraindo olhares. Ela! A dança! A música! De olhos fechados e em ritmo provocante seguia num movimento que era apenas seu e de mais ninguém!
Tudo nela era vermelho e vibrante. Tudo nela era vida e luz e emoção. A música era o guia que ela queria eternizar naquele momento. Queria absorver por completo a sintonia do ritmo e dos sons. Queria amar e ser feliz através da música. Queria o fogo da paixão aos seus pés. Queria amor de verdade. Queria tanto e tudo ao menos naquele instante. Era deusa e mulher comum, borboleta e fênix, fruta madura doce de encantos, alma nua e agora... serena!

E Carolina sempre diz, em alto e bom tom: “o amor é assim mesmo, pega a gente pelo pé e puxa, sem aviso prévio. E o amor não tem sexo nem cor nem credo, senão não seria amor”.
Um dia as coisas tomarão seu rumo. Ela estará a frente de todas as decisões e estará satisfeita com o resultado das suas escolhas, que por hora podem parecer absurdas, mas são suas e ninguém pode tirar isto de dentro do seu coração.

[Para nossa amiga Cacau]
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31 de janeiro de 2012

Como te farei compreender?


“Meu Amigo, não sou o que pareço. O que pareço é apenas uma vestimenta cuidadosamente tecida, que me protege de tuas perguntas e te protege da minha negligência.
Meu Amigo, o Eu em mim mora na casa do silêncio, e lá dentro permanecerá para sempre, despercebido, inalcançável.

Não queria que acreditasses no que digo nem confiasses no que faço – pois minhas palavras são teus próprios pensamentos em articulação e meus feitos, tuas próprias esperanças em ação.

Quando dizes: “O vento sopra do leste”, eu digo: “Sim, sopra mesmo do leste”, pois não queria que soubesses que minha mente não mora no vento, mas no mar.
Não podes compreender meus pensamentos, filhos do mar, nem eu gostaria que compreendesses. Gostaria de estar sozinho no mar.

Quando é dia contigo, meu Amigo, é noite comigo. Contudo, mesmo assim falo do meio-dia que dança sobre os montes e da sombra de púrpura que se insinua através do vale: porque não podes ouvir as canções de minhas trevas nem ver minhas asas batendo contra as estrelas – e eu prefiro que não ouças nem vejas. Gostaria de ficar a sós com a noite.

Quando ascendes a teu Céu, eu desço ao meu Inferno – mesmo então chamas-me através do abismo intransponível, “Meu Amigo, Meu Companheiro, Meu Camarada”, e eu te respondo: “Meu Amigo, Meu Companheiro, Meu Camarada” – porque não gostaria que visses meu Inferno. A chama queimaria teus olhos, e a fumaça encheria tuas narinas. E amo demais meu Inferno para querer que o visites. Prefiro ficar sozinho no Inferno.

Amas a Verdade, e a Beleza, e a Retidão. E eu, por tua causa, digo que é bom e decente amar essas coisas. Mas, no meu coração rio-me de teu amor. Mas não gostaria que visses meu riso. Gostaria de rir sozinho. Meu Amigo, tu és bom e cauteloso e sábio. Tu és perfeito – e eu também, falo contigo sábia e cautelosamente. E, entretanto, sou louco. Porém mascaro minha loucura. Prefiro ser louco sozinho:

Meu Amigo, tu não és meu Amigo, mas como te farei compreender?
Meu caminho não é o teu caminho. Contudo juntos marchamos, de mãos dadas”.

[Gibran Khalil Gibran - O Louco]

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