Sophia de Mello Breyner Andresen

01/04/2009

Eu vi este post no blog da Luma e este lá na Clarinha. Achei tão lindo o pouco que li, que fui atrás de mais informações sobre ela.

Estou encantada!

Sophia Breyner

 

Sophia de Mello Breyner Andresen é, sem sombra de dúvida, uma das maiores poetas portuguesas contemporâneas – um nome que se transformou, em sinónimo de Poesia e de musa da própria poesia.

Sophia nasceu no Porto, em 1919, no seio de uma família aristocrática. A sua infância e adolescência decorrem entre o Porto e Lisboa, onde cursou Filologia Clássica.

Após o casamento com o advogado e jornalista Francisco Sousa Tavares, fixa-se em Lisboa, passando a dividir a sua actividade entre a poesia e a actividade cívica, tendo sido notória activista contra o regime de Salazar. A sua poesia ergue-se como a voz da liberdade, especialmente em "O Livro Sexto".

Foi sócia fundadora da "Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos"e a sua intervenção cívica foi uma constante, mesmo após a Revolução de Abril de 1974, tendo sido Deputada à Assembleia Constituinte pelo Partido Socialista.

Profundamente mediterrânica na sua tonalidade, a linguagem poética de Sophia de Mello Breyner denota, para além da sólida cultura clássica da autora e da sua paixão pela cultura grega, a pureza e a transparência da palavra na sua relação da linguagem com as coisas, a luminosidade de um mundo onde intelecto e ritmo se harmonizam na forma melódica, perfeita, do poema.

Luz, verticalidade e magia estão, aliás, sempre presentes na obra de Sophia, quer na obra poética, quer na importante obra para crianças que, inicialmente destinada aos seus cinco filhos, rapidamente se transformou em clássico da literatura infantil em Portugal, marcando sucessivas gerações de jovens leitores com títulos como "O Rapaz de Bronze", "A Fada Oriana" ou "A Menina do Mar".

Sophia é ainda tradutora para português de obras de Claudel, Dante, Shakespeare e Eurípedes, tendo sido condecorada pelo governo italiano pela sua tradução de "O Purgatório".

Fonte

Eis-me

Tendo-me despido de todos os meus mantos
Tendo-me separado de adivinhos mágicos e deuses
Para ficar sozinha ante o silêncio
Ante o silêncio e o esplendor da tua face

Mas tu és de todos os ausentes o ausente
Nem o teu ombro me apoia nem a tua mão me toca
O meu coração desce as escadas do tempo em que não moras
E o teu encontro
São planícies e planícies de silêncio

Escura é a noite
Escura e transparente
Mas o teu rosto está para além do tempo opaco
E eu não habito os jardins do teu silêncio
Porque tu és de todos os ausentes o ausente

Sophia de Mello Breyner Andresen, Livro Sexto (1962)

Se você também gostou, tem mais poemas e informações aqui

 

11 comentários:

  1. Du, que linda postagem, riqueza de detalhes, uma bela escolha de poeta e sua poesia.

    Passa no Astros em Desfile e deixa os parabéns pro Candinho, ele está de aniversário hoje.

    http://candido-anjos.blogspot.com

    Beijos minha linda e uma quarta feliz.
    Cleo

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  2. Du, o blog hoje está cheio de novidades. Passe por lá.

    Abracos

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  3. Duzinhaaaa,
    Seus Posts são de primeira grandeza, aprendo muito quando venho aqui. Vc escreve muito bem!!! Pode publicar seu livro, eu compro e divulgo viu???Beijinhos de admiração

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  4. Esse Blog é um espaço de sonhos.Aqui a gente sonha e se sente feliz.Beijinhos.

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  5. Oi Duzinha, bom dia amor!
    Meu coração tá tão apertadinho...essa quinta-feira que num chega!
    Nem consegui concentrar na leitura dos textos. Depois eu volto.
    Beijossss!!!

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  6. Adoro seu jeito de dizer as coisas que pensamos, desejamos e sonhamos...

    Flor querida, visite esse espaço, vai gostar http://mardesophia.blogspot.com/

    lindíssimo dia minha flor
    beijos

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  7. Du, é mesmo de encantar...essa foi a exata impressão que eu tive ao Lê-la pela primeira vez.
    Uma bela lembrança esse seu post.
    Obrigada.
    Ah, obrigada também pela visita,rs...uma linda tarde para você, beijinho, Cris

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  8. Pôxa, Du! Fiquei sem fôlego com esse poema: simplesmente tudo que a gente quis dizer um dia. Fantástico.

    Um beijo.
    =*

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  9. Que poema lindo, que MULHER maravilhosa filha.
    Sempre aprendendo com todos vocês, seu post de hoje e do Psicopata estão espetacular, quanta informação, pessoalmente adoro posts longos, ler faz bem e as pessoas querem as coisas muitos rapidinhas.
    Estou contando as horas para a chegada de todos vocês!
    Beijos muitos beijos, agora vou voar para o NORTE!

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  10. O meu sorriso, por este post! :) De infinita beleza as palavras de Sophia.

    Veja nesse site - http://www.pbase.com/zef/image/60528125 - escultura de Sophia e por tabela, poeminha!! Em todas as galerias verá outros autores portugueses. Muito bom!!

    Sophia era tão boa, mas tão boa, que boazinha nos deixou Miguel Sousa Tavares, seu filho. Indico a leitura de "Equador" e "Rio das Flores", se é que já não leu!

    Beijus

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  11. maneirissimo blog, muito bom vir aqui.
    maurizio

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