Maconha: hora de legalizar?

26/06/2009

Fumar maconha em casa e na rua deveria ser legal? Legal no sentido de lícito e aceito socialmente, como álcool e tabaco? O debate sobre a legalização do uso pessoal da maconha não é novo. Mas mudaram seus defensores. Agora, não são hippies nem pop stars. São três ex-presidentes latino-americanos, de cabelos brancos e ex-professores universitários, que encabeçam uma comissão de 17 especialistas e personalidades: o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, do Brasil, de 77 anos, e os economistas César Gaviria, da Colômbia, de 61 anos, e Ernesto Zedillo, do México, de 57 anos. Eles propõem que a política mundial de drogas seja revista. Começando pela maconha. Fumada em cigarros, conhecidos como “baseados”, ou inalada com cachimbos ou narguilés, a maconha é um entorpecente produzido a partir das plantas da espécie Cannabis sativa, cuja substância psicoativa – aquela que, na gíria, “dá barato” – se chama cientificamente tetraidrocanabinol, ou THC.
Na Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia, reunida na semana passada no Rio de Janeiro, ninguém exalta as virtudes da erva, a não ser suas propriedades terapêuticas para uso medicinal. Os danos à saúde são reconhecidos. As conclusões da comissão seguem a lógica fria dos números e do mercado. Gastam-se bilhões de dólares por ano, mata-se, prende-se, mas o tráfico se sofistica, cria poderes paralelos e se infiltra na polícia e na política. O consumo aumenta em todas as classes sociais. Desde 1998, quando a ONU levantou sua bandeira de “um mundo livre de drogas” – hoje considerada ingenuidade ou equívoco –, mais que triplicou o consumo de maconha e cocaína na América Latina.
Em março, uma reunião ministerial na Áustria discutirá a política de combate às drogas na última década. Espera-se que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, modifique a posição conservadora histórica dos Estados Unidos. A questão racial pode influir, já que, na população carcerária americana, há seis vezes mais negros que brancos. Os EUA gastam US$ 35 bilhões por ano na repressão e, em pouco mais de 30 anos, o número de presos por envolvimento com drogas decuplicou: de 50 mil, passou a meio milhão. A cada quatro prisões no país, uma tem relação com drogas. No site da Casa Branca, Obama se dispõe a apoiar a distribuição gratuita de seringas para proteger os viciados de contaminação por aids. Alguns países já adotam essa política de “redução de danos”, mas, para os EUA, o cumprimento dessa promessa da campanha eleitoral representa uma mudança significativa.
A Colômbia, sede de cartéis do narcotráfico, foi nos últimos anos um laboratório da política de repressão. O ex-presidente Gaviria afirmou, no Rio, que seu país fez de tudo, tentou tudo, até violou direitos humanos na busca de acabar com o tráfico. Mesmo com a extradição ou o extermínio de poderosos chefões, mesmo com o investimento de US$ 6 bilhões dos Estados Unidos no Plano Colômbia, a área de cultivo de coca na região andina permanece com 200 mil hectares. “Não houve efeito no tráfico para os EUA”, diz Gaviria.
Há 200 milhões de usuários regulares de drogas no mundo. Desses, 160 milhões fumam maconha. A erva é antiga – seus registros na China datam de 2723 a.C. –, mas apenas em 1960 a ONU recomendou sua proibição em todo o mundo. O mercado global de drogas ilegais é estimado em US$ 322 bilhões. Está nas mãos de cartéis ou de quadrilhas de bandidos. Outras drogas, como o tabaco e o álcool, matam bem mais que a maconha, mas são lícitas. Seus fabricantes pagam impostos altíssimos. O comércio é regulado e controla-se a qualidade. Crescem entre estudiosos duas convicções. Primeira: fracassou a política de proibição e repressão policial às drogas. Segunda: somente a autorregulação, com base em prevenção e campanhas de saúde pública, pode reduzir o consumo de substâncias que alteram a consciência. Liderada pelos ex-presidentes, a comissão defende a descriminalização do uso pessoal da maconha em todos os países. “Temos de começar por algum lugar”, diz FHC. “A maconha, além de ser a droga menos danosa ao organismo, é a mais consumida. Seria leviano incluir drogas mais pesadas, como a cocaína, nessa proposta”.
E AGORA ATENÇÃO!
Para evitar problemas relacionados à saúde física e mental, é recomendável que a pessoa não faça o uso de drogas - no caso em questão, a cannabis.
Os efeitos causados pelo consumo da maconha, bem como a sua intensidade, são os mais variáveis e estão intimamente ligados à dose utilizada, concentração de THC na erva consumida e reação do organismo do consumidor com a presença da droga.
Os efeitos físicos mais freqüentes são avermelhamento dos olhos, ressecamento da boca e taquicardia (elevação dos batimentos cardíacos, que sobem de 60 - 80 para 120 - 140 batidas por minuto).
Com o uso contínuo, alguns órgãos, como o pulmão, passam a ser afetados. Devido à contínua exposição com a fumaça tóxica da droga, o sistema respiratório do usuário começa a apresentar problemas como bronquite e perda da capacidade respiratória. Além disso, por absorver uma quantidade considerável de alcatrão presente na fumaça de maconha, os usuários da droga estão mais sujeitos a desenvolver o câncer de pulmão.
O consumo da maconha também diminui a produção de testosterona. A testosterona é um hormônio masculino responsável, entre outras coisas, pela produção de espermatozóides. Portanto, com a diminuição da quantidade de testosterona, o homem que consome continuamente maconha apresenta uma capacidade reprodutiva menor.
Os efeitos psíquicos são os mais variados, a sua manifestação depende do organismo e das características da erva consumida. As sensações mais comuns são bem-estar inicial, relaxamento, calma e vontade de rir. Pode-se sentir angústia, desespero, pânico e letargia. Ocorre ainda uma perda da noção do tempo e espaço além de um prejuízo na memória e latente falta de atenção.
Em longo prazo o consumo de maconha pode reduzir a capacidade de aprendizado e memorização, além de passar a apresentar uma falta de motivação para desempenhar as tarefas mais simples do cotidiano.
Mas a maior e principal preocupação no momento é o crack
No dia 07 de junho eu fiz um post sobre uma campanha muito importante contra o consumo de crack. Para quem quiser ver, ali tem todas as informações necessárias para ajudar na luta contra este inimigo terrível, que escraviza pessoas, destrói famílias, degrada a juventude, estimula o crime e provoca mortes. É só clicar no link abaixo:
Não fechem os olhos para esta realidade!
Este post faz parte da blogagem coletiva promovida pelo blog CD – Lado B

 

19 comentários:

  1. Excelente, Du!
    De verdade, muito bem escrito.

    "Qdo tudo está perdido , sempre existe um caminho..";))

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  2. Gostei da matéria da revista época. Olha, com respeito a maconha sou a favor da legalizaçao e controle por meio do Estado. Acho que dos males este é o "menos pior". Eu já fumei, nao me consideraria um "fumante" ou mesmo um "viciado". Nao fumo mais, até por toda aquela estrutura que acreditaria estar sustentando se fosse um fumante. Também tem a questao da saúde que é importantíssima. Nao incentivo, mas acho que nesse combate às drogas deveríamos colocar um pouco mais os pés no chao.

    É um assuto que dá um bom debate Du, e eu até estou me limitando a comentar agora por falta de tempo (meu aviao vai já subir rs), e receio de ser mal-interpretado.

    Mas devo voltar aqui mais tarde.
    Bj!

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  3. Não deixa de ser um caso para reflectir. Se pensar-mos que o fruto proibido é sempre o que mais interessa, até podia ser um bom passo a legalização. E depois se a Maconha for livre quem sabe as pessoas não se metam noutras drogas mais poderosas, e maléficas.
    Mas será que é assim mesmo? Será que não se vai pensar que se aquela foi liberalizada, mais cedo ou mais tarde outras o serão, e se assim for afinal o diabo não é tão mau como o pintam?
    O ano passado, no meu prédio, no rés do chão, enforcou-se um jovem, de 27 anos, companheiro de brinquedos do meu filho. Durante anos calcorreou os sinuosos caminhos da droga. Havia 2 anos que estava "limpo" mas não aguentou a pressão e o preconceito para com um ex-drogado.
    Um abraço e bom fim de semana

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  4. Não acho que deva legalizar pra consumo, faz mal a saúde e pronto, não sei nem porque o cigarro é legal ¬¬'. Mas se for APENAS pra fins medicinais, é até um ponto a se pensar, mas aí teria que ter um rígido controle.

    Beijooos, Duzinha!

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  5. Seu post é perfeito filha, também já fiz minha contribuição.
    Nunca é tarde para recomeçar uma vida sempre há um caminho novo para encontrarmos.
    Beijos de bom fim de semana pra ti.
    Beijos e beijos!
    Que Deus te abençoe!

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  6. Du, esse tem sido o lado de sangue de muitas famílias.

    Muito interessantes as pesquisas do seu post.

    Um beijao

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  7. Eu acho que é o momento de legalizar sim, não apenas a maconha porque somos nós quem temos que decidir o que é melhor ou não, o que é certo ou não. Afinal, não é isso que tentamos aprender desde que nascemos?
    Excelente post o seu. Bjs

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  8. poxa,adorei esse post!
    eu acho muito hipócrita proibir a maconha e liberar o cigarro e o álcool.
    é só a idéia social que fizeram da maconha!se você ver alguém na rua com cigarro nem se choca,mas se for com maconha vão achar o fim do mundo!
    acho que cada um é livre pra usar o que quer e usurfruir de seu corpo.Se alguém quiser plantar a canabis na sua casa?vai ser preso?
    tanta coisa medíocre.

    beijos :))

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  9. Prazer em conhecê-la e ao seu blog. Gostei do seu post.

    Voltarei depois para a conhecer com a calma que merece :)

    Parabéns por sua participação!


    Agora vou continuar a visita a todos os blogs que participaram na blogagem colectiva contra a droga.

    Abraços.

    António Rosa

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  10. Eu sou a favor da liberação da maconha para fins médicos, desde que observadas certas regras e para pacientes em estado terminal, como coadjuvante para o saneamento da dor...Em outras finalidades NÂO!!!
    Pq ela é uma droga e é nociva a saúde do ser humano!
    Um belo texto o seu...
    Também estou participando com meus dois blogs:

    http://vidaslinha.blogspot.com e
    http://ideiasdemilene.blogspot.com

    Bjo

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  11. Du, ótimo seu post super esclarecedor. Maconha não é droga leve (existe?) e está mais do que na hora de se falar nos seus enormes malefícios. Abraço!

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  12. CONCORDO COM A LIBERAÇÃO DA MACONHA, POIS USARÍAMOS O DIÁLOGO COMO FERRAMENTA PRA CONVENCER O USUÁRIO AO INVÊS DO DISCURSO DIREITOSO.

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  13. Um estudo que acaba de ser divulgado informa que a maconha não é inofensiva e, como tal, não deve ser liberada. Aliás, deviam proibir, também, o que hoje chamamos de drogas lícitas.

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  14. Legal ou não, teremos que ter todo o cuidado do mundo e muita sabedoria para tratar este assunto, quando ele bater na nossa casa.
    Na casa dos outros é fácil mas e lá em casa como fica?
    Vou escrever sobre o assunto semana que vem.

    Beijão do amigão

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  15. Isso não é um post, é uma aula :-). Tb estou na coletiva e só agora pude passar para comentar os postados. Abraço!

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  16. Passei, como disse, para ler os comentários. Pretendo escrever sobre o assunto em breve, mas ainda vou pensar direitinho rs. De qualquer forma, parabéns outra vez Du. Esta aí algo importante meditarmos.

    Ínté!

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  17. Realmente, toda droga é perigosa... E sobre legalizar, é só tomar por exemplo o álcool e o tabaco, que se vê que não adianta nada legalizar.

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  18. Duzinha, para falar a verdade, nem li o post inteiro, porque eu já tenho uma opinião formada sobre isso, e nada me fará mudar. Maconha é uma droga e seu porte e uso ou comércio deve ser considerado crime inafiançável. Não concordo com essa história de que o usuário é caso de saúde pública. Para mim usuário e traficante são a mesma coisa.

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  19. Oi! Passei só pra ler sobre a blogagem. Adorei! Depois volto pra ler mais. Parabéns!

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