Vomitando palavras

03/09/2011

Às vezes eu escrevo como quem vomita as palavras, pode não ser uma expressão muito bonita, mas é assim mesmo que acontece. Pode vir de um simples pensamento, de algo que aconteceu ou que eu senti. Não sei explicar direito, mas a sensação é muito boa depois desse tipo de vômito. O texto abaixo veio assim...


Estava um frio de gelar os ossos e o vento cortava meu rosto, mas o sol brilhava mostrando toda a sua força. Então eu caminhava a passos lentos observando a multidão seguindo com pressa. Cada pessoa envolvida com seus próprios problemas, com suas dores, seus amores, suas aflições.
"Eu sou um coração batendo no mundo", já dizia Clarice Lispector. E eu me sinto assim quando vejo essa multidão alvoroçada seguindo seu destino. Apenas um coração que insiste em continuar a bater, mesmo depois de tantas mortes internas. Um coração desavisado, que aprende muito devagar pro meu gosto.

Mas o sabor da esperança é igual a sopa quente quando estamos com os pés gelados, então a gente segue o caminho do jeito que nos ensinaram e da maneira mais justa com a gente mesmo. Onde vamos chegar? Só Deus sabe, mas a gente sonha, a gente busca e a gente corre atrás.

Eu caminhei pelas ruas e esquinas da vida durante muito tempo com a cabeça baixa, sem olhar pros lados nem ninguém, acreditando que daria conta de tudo sozinha. "A gente que não pede a mão, também não estende". Seria egoísmo viver como numa ilha?

Talvez, mas garanto que a maior prejudicada tenha sido eu mesma. O que a gente faz quando acorda e se dá conta do tempo que perdeu? A gente acorda, olha finalmente para todos os lados e decide recomeçar.

Eu finalmente olhei pra essa gente toda e vi um pedacinho de mim em cada uma delas.
[Du]

Imagem daqui

(Texto escrito em 2010, republicando e mantendo comentários originais)

14 comentários:

  1. querida,
    a gente está um pouquinho em cada um e todos estão na gente.
    bela reflexão.
    beijo
    denison

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  2. Du,

    Por muito tempo eu também vivi em uma ilha, e somente a pouco tempo, comecei a deixá-la. Somente a partir daí vi o quanto estava equivocado em me isolar, perdi muito, com certeza.

    Acho que nos identificar nos outros é um meio de nos comprovarmos humanos, e capazes.

    Grande abraço, belo texto.

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  3. Com certeza temos um pouquinho de cada um e os outros um pouquinho de nós...Muitos não gostam de admitir, mas é a mais pura realidade.
    Bjs♥

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  4. Apesar de dizer que o texto foi vomitado,saiu muito lindo!Veio do seu coração e trouxe muita coisa boa,com as quais me identifiquei tb!Bjs,

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  5. Continue regurgitando assim para nosso deleite.

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  6. Perfeito, Du. Adorei a reflexão e o jeito como você encaminhou o texto.

    Beijo.

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  7. "Às vezes eu escrevo como quem vomita as palavras, pode não ser uma expressão muito bonita, mas é assim mesmo que acontece."

    Eu eu sinto que quando você fazia isso, escrevia mais sobre você, eram tempos mais felizes. Você aparentava estar mais feliz. Hoje, te vejo mais triste, mais isolada.

    Lembra quando dizia que era no blog que se sentia bem. Que aqui era o lugar onde se sentia em casa?

    Se tiver que vomitar, vomite as palavras. Quem te admira e te gosta ficará contigo sempre. Se te isolas em uma ilha, como os que te gostam poderão te encontrar?

    Aconteça o que acontecer, do meu coração, não sais.

    Iza!

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  8. "O que a gente faz quando acorda e se dá conta do tempo que perdeu? "

    R: A gente corre atrás do tempo perdido. Sempre há tempo, sempre.

    E sim, todos que passam por nós deixam um pouco de si e levam consigo um pedacinho nosso.

    beijo, Duzinha que tem vários pedacinhos meus. =]

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  9. Du,
    chega me arrepiei ao ler esse texto. Que linda as palavras vomitadas, assim, a protagonista enxergou-se em cada pessoa que a circulava. Eu me enxerguei um pouco em você. Um pedaço de mim, que também vomita palavras, com certeza foi encontrado aqui.
    E, sim, é necessário vomitarmos palavras, ou nos sufocaremos delas.

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  10. Querida Du,

    Adorei o seu "vômito" de hoje, que se iniciou no Twitter e continuou aqui, nessa linda postagem...

    Sabe, quando costumo falar das minhas tristezas, ela me diz: "Taty, que você tenha sempre novas tristezas para poder escrever sobre elas...!"

    É meio cruel, mas não deixa de ser verdade... quando a melancolia insiste em bater é que doamos o nosso melhor à escrita!

    Mas você? Ah... você faz isso com maestria, seja na alegria ou na tristeza, sempre!

    Amei!

    Beijos, querida...

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  11. FANTÁSTICAS PALAVRAS! Como sempre, é um prazer te ler! Saudades
    Malice

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  12. vomitar não é feio, não. vomitar é belo! é catarse íntima. é feio para os que não têm a coragem de exposição. e não se expondo, criam a normalidade patológica da estética da covardia. eu vomito! meu vômito é minha forma de dizer o que sinto...

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  13. Adorei a postagem, seu talento é contagiante, espero que se sinta mais vezes enjoada,ou que coloque o dedo na garganta...e vomite bastante..rs

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  14. Beleza de texto, delicioso... Mas não bate com expressão tão dura... Vomitar é a pior forma de expelir algo do corpo, a mais agressiva... Não: prefiro um texto "salivado", "degustado" com apreço, até o seu "deglutimento" com gosto!

    Imaginei-te uma única entre tantos tantos... O que realmente ´s, minha cara: única!

    Um grande abraço saudoso, esperando que estejas bem e cheia de saúde (nunca mais os 'e-mails', não é mesmo?) e que venhas logo aos Morcegos matar saudade: eles voltaram, em nova temporada, cheios de gás! Abração!

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