Letargo: Entre a loucura e a sanidade

12/09/2011


A música estava muito alta, aquele bate-estaca (tum tum tum tum tum tum) ...
Completamente suada e nauseada pela bebida, ela dançava de olhos fechados sentindo o flash das luzes piscando... pensava na noite em que os faróis do carro dele pararam praticamente em cima dela. Chovia muito e ele saiu do carro furioso, mas só então percebeu o quanto ela chorava. Naquele instante ele ficou desconcertado, meio sem jeito, meio sem saber como agir diante daquela situação inusitada. Então ela o abraçou quase que por impulso! Ele a tirou da rua e a levou pra casa. A acolheu, tirou suas roupas molhadas, a aqueceu... ela não disse uma palavra!
Não tinha coragem de falar nada, era culpada, tinha medo, estava em choque...

Dançando e bebendo, reviveu o pesadelo daquela noite e não pode suportar as lembranças que tanto a atormentaram.
Saiu cambaleando da pista e foi pra rua.
Nada mais importava agora depois da morte dele.

Ele não estaria ali para reconfortá-la, para trazer-lhe de volta a vida... e não estaria ali para impedí-la novamente de terminar o que começou naquela noite.

"Quem pode definir onde está o limite entre a loucura e a sanidade de cada um?"

Eu não tenho medo!!!
Eu não tenho medo!!!
Ela gritava, mas a voz não saia de jeito nenhum! Num gesto desesperado abriu os braços e estufou o peito na tentativa de entender sua coragem ao enfrentar aquilo que ela mesma não sabia o que era.

Luzes de todas as cores entre uma escuridão sem fim e o corpo suspenso no ar, braços abertos que gritavam por ela, lágrimas nos olhos, desespero!
(... porque eu sinto tanta dor???...)

Como se explodisse uma bomba numa fração de segundos, as cores se dissiparam e enfim... tudo acabou!
[Du]

Imagem daqui

4 comentários:

  1. Du,

    Não deve ser nada fácil viver em desespero, com tudo e todos conspirando contra nós e sem nenhuma perspectiva.

    Bela crônica.

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  2. Oi Du, quanto tempo!
    Nossa, que história forte o.o
    Mas gostei ^^

    Bjo

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