Saiba mais sobre o Haiti, o país mais pobre da América Latina

17/01/2010

 

[Pessoas se desesperam nas ruas de Porto Príncipe, após terremoto]

O Haiti foi a primeira república negra do mundo a declarar sua independência. O Haiti é o país mais pobre do hemisfério ocidental, com 80% de sua população vivendo na pobreza, com menos de US$ 2 por dia. Dois terços dos haitianos dependem do setor agrícola e são vulneráveis aos danos ocasionados por desastres naturais, agravados pelo desmatamento.

O setor de produção de roupas representa dois terços das exportações do Haiti para os Estados Unidos. Além disso, o Haiti sofre com uma grande inflação, possui uma infra-estrutura limitada e um severo déficit comercial. O governo haitiano depende de ajuda internacional para seu sustento fiscal

No ano de 2005, o Haiti pagou suas dívidas com o Banco Mundial, reforçando assim a possibilidade de investimentos com a organização. Acredita-se que o Haiti receba a liberação de sua dívida através da iniciativa para Países Pobres Altamente Endividados (HIPC, na sigla em inglês).

Além disso, o governo enfrenta problemas com o tráfico de drogas. No Haiti, o narcotráfico corrompeu o sistema judicial e as forças policiais.

O Brasil foi o responsável pela organização das forças de paz no Haiti. Atualmente há 1.266 militares brasileiros lá. O objetivo é colaborar na reconstrução física e institucional haitiana com apoio nas áreas de segurança, de engenharia e saúde.

Política
Durante décadas, o Haiti viveu sob o poder dos governos brutais de François "Papa Doc" Duvalier e seu filho, Jean-Claude, conhecido como "Baby Doc". Em 1990, Jean-Bertrand Aristide foi o primeiro presidente eleito de forma democrática.

Apesar de sua grande popularidade, as esperanças de um futuro melhor desapareceram quando Aristide foi derrubado em um sangrento golpe militar, em 1991. Ele regressou ao Haiti em 1994, logo após o regime militar renunciar frente à pressão dos Estados Unidos.

Em 1996, Aristide foi substituído por René Preval na presidência, após eleições diretas. René foi reeleito em novembro de 2000. Em 2004, um governo interino, aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU, assume o poder. Com isso, a Organização enviou para ao país uma força para restaurar a ordem.

Entretanto, o Haiti prosseguiu afetado por confrontos violentos entre gangues e grupos políticos rivais. A ONU classificou a situação de direitos humanos como catastrófica. Em 2006, René Préval, chamado por seus partidários de defensor dos pobres, voltou à presidência.

Furacões
Formado por uma topografia montanhosa e um clima tropical, sua localização, história e cultura (caracterizada pela religião vudu, suas músicas, tambores e danças), fizeram do Haiti um lugar ideal para o turismo.

Em 2008, O Haiti foi atingido por uma série de de tempestades e furações, que deixaram cerca de mil mortos, mais de 800 mil pessoas desabrigadas e causaram prejuízos de mais de US$ 1 bilhão.

Na época, o enviado especial da ONU para o Haiti, Hedi Annabi, estimou que Produto Interno Bruto do país havia caído entre 3% e 4% devido às tempestades.

Protestos e violência
O Haiti - que importa a maior parte da comida que consome - foi um dos países mais atingidos pela crise alimentar causada pela alta nos preços dos alimentos.

Segundo analistas, a raiz da crise alimentar do Haiti está na combinação de uma agricultura de corte e queima que destruiu várias terras do país - deixando apenas 2% das florestas originais - e a decisão de importar alimentos a partir dos anos 80, quando os preços eram mais atraentes.

O país começou a importar grande quantidade de alimentos principalmente dos Estados Unidos, depois de baixar tarifas de importação após negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial em troca de empréstimos.

O Haiti foi um dos primeiros países a chamar a atenção mundial para crise dos alimentos. A crise gerou uma onda de violentos protestos no país em 2008.

Mídia
O rádio é o meio de comunicação mais importante no Haiti. O acesso à imprensa escrita é limitado, devido ao alto índice de analfabetismo. Existem mais de 250 estações de rádio privadas, que cobrem um amplo espectro do panorama político. Entretanto, a autocensura é muito comum. Os jornalistas evitam entrar em confronto com seus patrocinadores e com os políticos.

A organização Repórteres sem Fronteiras, que defende a liberdade de imprensa, afirmou que a publicação de notícias melhorou "dramaticamente" desde a saída do presidente Jean-Bertrand Aristide. A ONG havia colocado o ex-mandatário em sua lista de "depredadores da liberdade de imprensa".

Em meio à violência crescente no início de 2004, estações de rádio e televisão se tornaram alvo de quadrilhas em ambos os lados do espectro político. Estúdios e equipamentos de transmissão foram destruídos.

Terra

Veja como ajudar as vítimas do terremoto no Haiti

6 comentários:

  1. Bom dia Du, tudo bem com vc?
    Estou voltando aos poucos ao universo dos blogs, estive ausente e volto num momento em que todas as atenções se voltam para o Haiti.
    Sempre achei isso estranho e sempre vou achar, é preciso uma grande desgraça para que o mundo tome conhecimento da existência de um "enorme" problema que é a extrema pobreza de um povo e digo pobreza em todos os sentidos: educação, cultura, alimentação e muitos outros princípios básicos.
    Excelente post menina, beijos pra vc.

    ResponderExcluir
  2. Du,

    É incrível como as coisas pioram em ambientes onde tudo já é ruim! Se uma reconstrução do país já era difícil antes do terremoto, imagine agora. Concordo com a LUnna Guedes, é preciso uma catastrofe deste porte para que os países ricos tomem ciência da realidade nos menos favorecidos.

    Rezemos para que tudo seja resolvido.

    ResponderExcluir
  3. Du querida

    Fico pensando na tristeza que era a vida dos Haitianos antes mesmo da tragédia... e penso que a morte não seria uma espécie de misericórdia de Deus para com muitos deles...É o meu lado poliana tentando ver algo de bom na desgraça.
    Tal mudança tão drástica na vida pessoal e coletiva do povo haitiano, espero, há de provocar algo - que nem imagino o quê mas nenhum povo continua a caminhar da mesma maneira depois de tanta desgraça junta.
    Foi tragédia aguda.
    Porque as tragédias crônicas, não estão na mídia e não provocam nada.
    "O que arde cura, o que aperta segura" - já dizia minha avó.

    Un beso

    ResponderExcluir
  4. adorei o post!!
    Metade do mundo não conhece ou se importa com um país tão pobre quanto o Haiti!!!


    bjss

    ResponderExcluir
  5. Oiee Du, bem ...feliz ano novo!!
    Obg pela visita, estou voltando.
    Hoje vemos estampados em todos os lugares o sofrimento dos haitianos, mas trabalhando nos bastidores deste momento tão grande de dor muitas mãos habilidosas que estão a fazer curativos, que fizeram tres partos-que para todos que lá estão e trabalham é a verdadeira mensagem de recomeço, enfim, agora é cada um ajudar da melhor maneira que puder!
    Tudo de bom pra ti.
    bjs♥

    ResponderExcluir
  6. Em razão da exposição do Haiti por conta dos terremotos, li ema algum lugar uma coisa que me deixou pensando bastante: "Às vezes, é preciso acontecer tragédias que que todo mundo lembre que determinados lugares existem."

    Interessante é que na vida nossa de todo dia também é assim. Às vezes, é preciso acontecer alguma coisa pra que valorizemos o que temos; outras vezes, é preciso perder pra se dar conta do quanto era bom.

    ResponderExcluir

^ Suba