Quem, quem sou eu para entristecer?

21/01/2011



Ontem no trabalho atendi uma moça muito bonita, de 26 anos. Começamos a conversar e ela me contou coisas que nunca imaginei ouvir de alguém como ela.

Foi como um choque de realidade. Confesso que apesar de todas as desgraças que  assistimos pela mídia (recentemente a do Rio de Janeiro), nada é comparado a ter uma pessoa na sua frente, falando com tanta serenidade e abnegação sobre uma vida tão triste. 

Ela usava uma lente implantada no olho de -28 graus e mesmo assim a visão era turva, ela só  enxergava bem, de perto. Por causa da diabete, estava ficando cega aos poucos, e por causa disto mesmo, ela caiu na rua e ficou com um machucado bem feio no pé. Tive que tirar a atadura do ferimento e trocar o curativo. Enquanto conversamos, ela me contou com toda calma do mundo que tinha medo de ter o pé amputado já que a avó perdeu um dedo da mão desta forma (diabética também). Quem sofre deste mal sabe que a diabete dificulta e  muito a cicatrização de ferimentos assim.

Além de tudo isto (como se já não bastasse) ela ficou viúva no mês passado de um marido que  amava, estava grávida e perdeu o bebê também... 

Em nenhum momento da nossa conversa ela chorou, muito menos sorriu. 
Ela só transparecia serenidade. Não falou em Deus, nem em fé alguma. Só desabafou. 
Eu cuidei dela como pude, não por pena porque nunca admirei tanto uma pessoa como admirei aquela moça, mas por tudo que vi e ouvi dela no tempo curto em que estivemos juntas.

Quando ela foi embora,  fiquei sozinha por alguns instantes refletindo sobre minha própria vida, sobre minhas faltas, minhas ausências, minhas tristezas... me senti tão pouco, tão pequena, tão injusta com o resto do mundo que também sofre... Me senti , ingrata, ignorante, egoísta e egocêntrica, mesmo sabendo que não sou nada disto.

O fato é que eu sim, chorei quando ela saiu. E estas lágrimas fizeram ver o "meu" mundo de outra forma. 




Assim como canta Alanis Morissette nesta música: Quem, quem sou eu para entristecer? #reflitam

"Concedei-me, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar aquelas que posso e sabedoria para distinguir umas das outras". (Oração da serenidade)
Imagem daqui

10 comentários:

  1. Oi Du.
    é muito triste mesmo, recentemente meu tio teve q amputar a perna por causa da diabetis, mas a vida é assim, pois nada é por acaso e todo o sofrimento q passamos é nescessário para nossa evolução, muitas vezes não sabemos o pq. Mas quem sabe oq fissemos em outras vidas né? um bjão estou com muitas saudades d ti, te deixei muitooooosssss recedos mas vc nunca me respondeu, não sei pq.

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  2. Concordo com Zani , a vida nos traz cada coisa?!Por isso , temos que cada dia sermos gratos a Deus por tudo que nós alcançamos aqui, há tanta coisa boa apesar do que passamos n a vida . bjus teu Blog ta lindo!!!!!

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  3. Precisamos aprender a dimensionar os nossos problemas no real tamanho deles.

    Beijo Du

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  4. Muito triste mesmo. Eu precisava ler isso... vlw!

    Bjos

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  5. Ao ler isso, tive a mesma reação que você. Também me senti pequeno, ingrato, ignorante, egoísta e egocêntrico.Porque será que a cruz de
    algumas pessoas é tão pesada?

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  6. Oi.
    A verdade é que todas as nossas tristezas e decepções parecem pequenas diante do que presenciamos ou ouvimos dos outros, como isso nos afeta, nos transtorna e até nos humilha(?), não sei... já considero minhas lágrimas meras freescuras.
    até quando?
    sei que nem tenho o direito de entristecer...

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  7. Realmente, às vezes precisamos de um 'puxão de orelha' desses pra vermos que nossos problemas não são nada daquela montanha imensa que visualizamos.... temos tendência a nos martirizarmos demais... e quando vemos uma pessoa como essa garota, com problemas reais e visíveis, agindo de uma forma tão serena, não tem como não admirarmos e como nãotirarmos uma bela lição disso.
    Grande moça, essa. Que ela tenha luz em seu caminho. E que todos nós tenhamos.
    Beijos, amada!

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  8. às vezes, essa parece ser a forma que melhor nos faz entender o que precisamos entender, que melhor nos faz sentir o que precisamos descobrir, e assim como com cada um, o efeito quando surte é o que de melhor se pode tirar, de algo assim, e o nosso sentimento e a maneira de lidar, seja em silêncio, em companhia ou só, é o que nos mostra o que precisamos ver melhor.

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  9. Às vezes os problemas dos outros são tão sérios, que os nossos parecem não ter importância.
    Realmente muitas vezes choramos de barriga cheia, mas valorize seus fracassos assim como valoriza as vitórias. Há de se ter um equilíbrio.

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  10. Du, sempre me compadeço com as histórias tristes, a tristeza dos outros e admiro também a capacidade individual de cada um em superar obstáculos.

    Conheço uma pessoa bem próxima a mim que teve o corpo, inclusive os seios queimados quando criança. E esta pessoa hoje tem cinco filhos e nunca deixou de ter namorado. E casada hoje e enfrenta os problemas de uma forma que me admira muito.

    Mas a gente nem o outro é a medida de todas as coisas. Cada sofrimento, cada tristeza acontece em um contexto e em uma estrutura mental diferenciada. Por isso as pessoas são diferentes e reagem diferente diante das dores.

    Acho que cada um sabe a medida de sua dor e a suporta dentro de um contexto estruturado para isso. Por isso acredito que existam pessoas lindas e rica que se suicidam; e pessoas que não são nada disso e, passam por privações tanto materiais quanto orgânicas inegualáveis e vemos estas pessoas lutando pela vida.

    É a medida que não é igual para todos.

    Beijo grande!

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