Fragmentos além-mar, Infinitudes de Manuel Pintor - @manuel_pintor

08/02/2011


Se a solidão
Se a solidão 
Por algum acaso do destino 
Se fizer a sua melhor amiga 
Nalguma esquina de seu caminho 
Trate-a com desvelo 
Dê-lhe a mão, siga em frente 
Não a deixe dona de seu ninho
Certo
Entranhava-se-lhe uma estranha serenidade. Tudo em que confiava era incerto, mas nada retirava a essa certeza.
Despe-dia
Dia a dia mais se perdia no que lhe anoitecia.
Era de si que despedia o dia.
Tua voz
Escuto em silêncio
o segredo da tua voz
que me enleva
leve
carregada de desejos
palavras não ditas
que me florescem
pétalas
de amor-mais-que-perfeito
Transparências
Assim vou
em transparentes cores
vestindo de janelas o mundo
Ninharias
Carregamos tantas quinquilharias
cacos de ilusões perdidas
certezas tão vazias…
Que nos desventuramos
da nudez nascidos
na simples travessia dos dias.
Sorris-me
E tudo é de novo
novo,
quando o meu olhar se levanta
para o teu
sorrindo!
Desmorona-dor
Há um silêncio que chora
lento
Silêncio que demora
tormento
calando de tristeza a hora
Desalento
dor que, em escorrendo
se silencia onde mora
Sonho
Há uma linha ténue que já não está.
As palavras balançam lentamente.
Deslizam suaves na dormência mais íntima de mim.
Excitam-me de felicidade os sonhos nas ruínas em que me deito.
Aspiram febris ao abandono da plenitude em brasa.
Fecho os olhos.
Despertos.
Há uma linha ténue que já não está.
Transversando o tempo
Minha alma se dominou de amor
Se moveu, semeou no vento
e atravessou de luz o tempo
por dobras estreitas
memórias imperfeitas
Se escreveu eterna
em cada momento
de seu verbo lento
Há de vir
Não clames pelo tempo que há-de vir.
Dá-lhe todo o tempo que tens e farás teu advir.
Inteiras palavras
Tomo a palavra
Entrelinhas
Sem meias
Contigo
Meus lábios procuram a macieza dos teus, seduzidos
Os olhos nos teus se afundam, tão perto
Suaves, minhas mãos deslizam teus cabelos
Na seda da tua pele me perco
Contigo assim me faço dia
Nesta noite que (não) adormeço
Mãos
Nas minhas mãos
No dígito táctil das minhas mãos
Está tudo o que inventei
Tudo o que meus olhos já viram
Ou que apenas anteviram
E ainda não olhei


3 comentários:

  1. Querido poeta,
    o tempo passa e tu não marmorizas os poemas num livro!
    Eles pedem. E nós precisamos.
    Carinho pra ti!

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  2. Grato!
    Grato por tão generosa leitura, querida amiga de coração tão pleno.
    Tanta bondade!
    Carinho!

    Manuel

    PS: Gostei da imagem escolhida. Relembra-me uma das imagens possíveis do meu poema "Entre paralelas"!

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  3. Belos versos fragmentados. Viagens intensas acontecem.

    Gostei muito, Du

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