Quem tem fé, não tem medo! Para @leilocabarreto

11/06/2011


Se existe algo na minha vida com o qual nunca aprendi a lidar é com a finitude das coisas, dos sentimentos... principalmente, da vida.
A morte desumananiza. Faz morrer parte de quem fica e eu nunca soube como aceitar e preencher o vazio eternamente instalado no peito. Nada substitui a dor de perder alguém que amamos, nada mesmo.

Minha única experiência com a morte de um ente querido foi terrível. Foi há mais de 20 anos e nunca consegui esquecer o corpo do meu priminho de 9 anos que eu criei como se fosse um filho, sendo velado dentro de um caixão com o ursinho de pelúcia que eu tinha dado de aniversário quando ele ainda era um bebê. Aquela cena marcou meu coração de forma irreversível, a ponto de eu não conseguir ir ao enterro dele. Só conseguia chorar, sentir uma dor terrível na cabeça e no coração, só queria dormir para que os dias passassem rápido e o tempo levasse embora a dor imensurável que eu sentia.

Eu lembro como se fosse hoje do último dia em que peguei nas mãozinhas dele enquanto a gente atravessava a rua e ele  pediu um algodão doce. Lembro do sorriso e das risadas dele correndo atrás do gato pela casa e se escondendo embaixo da mesa pra me deixar louca procurando por ele. Eu o amava, de verdade, como uma mãe ama um filho.

Mas por que estou falando sobre morte hoje? Porque uma mensagem desesperada de uma amiga fez renascer em mim todos os momentos passados ao lado do Cléber, que morreu atropelado por um ônibus enquanto voltava pra casa de bicicleta depois do colégio, feliz da vida com o boletim nas mãos porque tinha passado de ano e as férias começavam a partir daquele fatídico dia. Fui ao colégio um tempo depois contar para a professora o que aconteceu e ela me contou que nunca tinha visto uma criança tão feliz com um boletim nota 10 nas mãos! 

Então...
" Du, manda uma mensagem pra mim, posta no blog. Eu não tô conseguindo segurar o que sinto no peito. Meus irmãos estão querendo me sedar. Não é certo isso... Eu não consigo domir, sinto muita dor de cabeça"

A mãe da Leila (@leilocabarreto) acabou de falecer e eu nunca sei o que dizer num momento tão triste desses, mas não podia deixar de atender ao pedido dela. 

Leilinha, vou deixar pra ti uma mensagem muito sábia do Chico Xavier, que sempre me ajuda muito e até já postei aqui no blog, num momento muito difícil da minha vida. Espero que te ajude a superar logo esta dor, assim como me ajudou... porque ela vai passar viu? Pode acreditar em mim!

[Du] 

Tudo passa...

Todas as coisas na Terra passam.
Os dias de dificuldade passarão...
Passarão, também, os dias de amargura e solidão.

As dores e as lágrimas passarão.
As frustrações que nos fazem chorar... Um dia passarão.

A saudade do ser querido que está longe, passará.

Os dias de tristeza...
Dias de felicidade...
São lições necessárias que, na Terra, passam, deixando no espírito imortal
as experiências acumuladas.

Se, hoje, para nós, é um desses dias,
repleto de amargura, paremos um instante.
Elevemos o pensamento ao Alto
e busquemos a voz suave da Mãe amorosa,
a nos dizer carinhosamente: 'isto também passará'

E guardemos a certeza pelas próprias dificuldades já superadas que não há mal que dure para sempre,
semelhante a enorme embarcação que, às vezes, parece que vai soçobrar diante das turbulências de gigantescas ondas.

Mas isso também passará porque Jesus está no leme dessa Nau
e segue com o olhar sereno de quem guarda a certeza de que a
agitação faz parte do roteiro evolutivo da Humanidade
e que um dia também passará.

Ele sabe que a Terra chegará a porto seguro
porque essa é a sua destinação.

Assim, façamos a nossa parte o melhor que pudermos,
sem esmorecimento e confiemos em Deus,
aproveitando cada segundo, cada minuto que, por certo, também passará.
[Chico Xavier]

Imagem daqui

4 comentários:

  1. As suas palavras fazem com que eu me lembre das últimas palavras da minha mãe: "Tenha paciência." Du, foi duro para mim, está sendo muito duro. Neste domingo passado tive um sonho com a minha mãe que estava na estrada retornando de São Paulo da romaria de Aparecida. Sonhei que ela me dizia que não ia voltar...E eu pedi a ela que conversasse com Deus e pedisse a ele para que ele deixasse ela voltar para Feira de Santana para me dar um abraço. Eu estava na Cidade de Candeias nesse dia e assim como havia sido combinado em sonho eu retornei a Feira de Santana para esperar a minha mãe que chegaria de São Paulo. Antes mesmo que ela entrasse em casa eu disse: Mãe vim buscar o seu abraço e pelo amor de Deus diga que me ama. Assim foi feito. Na terça pela manhã acordei cedo, deixei minha mãe me dar banho, conversamos muito e retornei para Candeias para trabalhar. As últimas palavras de minha mãe foram diversas para mim nesta manhã. Na madrugada ela veio a falecer(infartou). A dor é imensa, a saudade é sufocante,mas a gratidão a Deus por permitir esse encontro está aqui misturada com a tristeza de ter que devolver minha mãe para ele. Você, meus amigos e todas as pessoas que souberam do meu sonho antes mesmo de acontecer me tranquilizaram, me apoiaram e me explicaram o amor de Deus. Devolver para Deus os que amamos é muito doloroso, mas entendo que vivemos motivados pelo amor dele e sinto que não acabou o cuidado dele comigo, nem o amor da minha mãe por mim. Muito obrigada!

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  2. Parabéns pelo seu blog,que DEUS te abençõe sempre.Deixo o Blog Belas Artes Médicas.
    Abraço enorme.

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  3. Ai, Du até eu me emocionei aqui...
    Beijos!

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  4. Se despedir de alguém querido nunca é fácil, reconhecer que o corpo de quem amamos vai se decompor, não é agradável... Lembrar que não poderemos mais estender a mão e tocá-lo é dolorido.

    Mas o bom da perda é saber que um dia tivemos tudo isso, e agradecer a bênção dessa experiência é o que pode facilitar a passagem pela dor, até isso passar.

    Não compreendemos porque morremos, nem porque existimos... Mas enquanto estamos passando pela experiência é muito bom, é o que nos é dado. Reconhecer o bom da vivência e liberar tudo quando ela acabar, deixar ir, soltar e agradecer o que se teve, é o que cura.

    Tudo aqui é efêmero e transitório, lembremos disso sempre vivamos profundamente o agora.

    Bjs!

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