Entre a cegueira e a lucidez

03/08/2011



Ontem li um texto muito bem escrito pela minha Sis sobre Saramago, fazendo uma ótima analogia com sua própria vida, e fiquei a pensar... pensei tanto que senti necessidade de escrever também sobre quando nos permitimos ser cegos ou quando não percebemos tal cegueira.

Cheguei a conclusão que a gente deixa se cegar, sendo pelo lado positivo (quando a cegueira "clareia" nossa visão) ou sobre quando cegamos porque nos convém, de alguma forma. Não chamaria de ingenuidade, talvez uma simples falta de opção ou acomodação com fatos que incomodam, mas que ao mesmo tempo preenchem nossa vida de tal forma que não nos permitimos olhar para os lados e ampliar nossa visão.

Ampliar a visão é tão importante como comer e se vestir diariamente. Nada que existe no mundo é definitivo, fato consumado. Nada é eterno. Nós não somos eternos... então por quê muitas vezes não nos permitimos ser felizes fazendo uma escolha complicada "aos olhos alheios", mas que pode mudar tudo em questão de segundos? Difícil resposta, não?

Eu mesma fui cega tantas vezes por ingenuidade, outras por acomodação. Outras vezes meus olhos, como se mudassem de cor de repente, enxergaram tudo de uma forma tão clara que me fizeram acordar e consequentemente, mudar minha vida. E quando meus olhos "mudam de cor", coisas boas acontecem, pelo simples fato de me permitir. Cegar também faz enxergar, ao contrário do que muitos possam pensar.

Quem já leu "O ensaio sobre a cegueira" do (mestre) José Saramago, talvez consiga entender melhor sobre o que estou falando aqui. Quem ainda não leu, posso afirmar que é leitura obrigatória, não por Saramago ter ganho um prêmio Nobel de Literatura, mas porque nos faz pensar. É isto, Saramago foi um gênio que escrevia como um professor fazendo os alunos (leitores) pensarem.

Eu li o livro e vi o filme sobre o livro, mas neste caso, é preciso LER com muita atenção para VER... ou descobrir-se cego (a), o que muitas vezes pode ser o melhor a acontecer em uma vida em construção de aprendizado e constante evolução.

[Du]

Imagem daqui
Já escrevi sobre Saramago, ainda vivo, aqui.

5 comentários:

  1. Bela postagem, sempre existe um lado obscuro, mas vou ler Saramago depois volto para outra colocação.

    Abraço

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  2. Muito bom saber que te inspirei, Du. A gde verdade é que amei o livro por isso: porque ele mostra que precisamos cegar pra poder começar a ver. Ver e enxergar aquilo que é essencial e que andamos a negligenciar há tanto tempo.

    Bjs, Sis!

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  3. Dormiu vestida de grego,
    amanheceu assim tão nua.

    A cor dada,um próprio sonho.

    Sorri meio sábia,meio boba...
    sente que se chama Aletheia.

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  4. Du, estamos sempre em sintonia, não venho há dias, mas foi exatamente sobre isso que pensei essa semana. No meu caso, me permiti cegar, me permitir não ver coisas que stavam debaixo do meu nariz, porque sabia que se as visse e admitisse, eu precisaria ter postura, atitudes e sabia que não seria fácil, como realmente não está sendo. Às vezes, como agora, a gente tenta se iludir, porque não quer desconstruir determinadas coisas na cabeça da gente, não quer simplesmente aceitar e trabalhar sentimentos, decepções, frustrações, enganos... porque dói demais. Mas é chegado um momento que é preciso ver, enxergar... é uma espécie de libertação. E como já diz o antigo e sábio ditado... o pior cego é aquele que não quer ver.

    Beijos enormes ♥

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  5. Du,
    Eu li e vi o filme e me escancarou a realidade.
    Mas nem todos conseguem entender o que Saramago mostra, um amigo mesmo que assistiu ao filme comigo, não entendeu e achou "bobo".Ele mesmo se encaixa em estar "cego" a realidade.
    Para mim, foi transformador.
    Abraços

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