Por que a justiça tarda para Flavia e para tantos brasileiros?

16/09/2011

Flávia tem pouco mais de 20 anos, metade dos quais em cima de uma cama hospitalar, desde que entrou em coma vigil por ter quase se afogado quando teve seus cabelos sugados por um ralo de piscina, mal vendido, mal instalado e nunca fiscalizado. Acidentes com ralos de piscinas são mais comuns do que se pensa, no caso de Flávia, a responsável foi a empresa Jacuzzi do Brasil - acho que o nome dos responsáveis DEVE ser divulgado. O acidente acontecido com Flávia já havia acontecido com outras crianças e continuou a acontecer, no Brasil, em Portugal, nos Estados Unidos, na França, na Rússia... E apesar da ação devastadora dos acidentes causados por ralos de piscina, locais e empresas responsáveis pela venda, instalação e manutenção desses ralos que compõem os sistemas de sucção de piscinas, continuam indiferentes à sorte das vítimas, continuam na impunidade, mesmo muitos anos depois da ocorrência das tragédias. É preciso urgência na fiscalização da venda, instalação e manutenção dos sistemas de sucção de piscinas. É preciso punição exemplar para quem cometeu ou venha a cometer negligências com a segurança dos sistemas de sucção de piscinas. É preciso cobrar agilidade da justiça na proteção das vítimas.


Uma carta para Odele:

Olá Odele! 
Como você já sabe, não existe maior amor no mundo que o amor por um filho. Um filho é literalmente parte de nós, é um pedaço do nosso coração que vai morar em outro corpo. É uma semente, o maior milagre de Deus. Não pode existir emoção nem alegria maior do que ser mãe. Imagine então se existe tristeza maior do que perder um filho? Não mesmo. Você não perdeu sua filha linda, ela felizmente não morreu, mas perdeu a oportunidade de crescer e evoluir normalmente como adolescente por causa deste terrível acidente.Você luta por justiça desde então e isto é admirável, porém a justiça nesse caso, além de cega está sendo surda e muda!
Sabe Odele, nem nos meus piores pesadelos eu me imaginaria enfrentando o que você vive, acho que não conseguiria suportar tamanha tristeza. Dizem que Deus não nos dá um fardo maior do que podemos carregar, então você é uma guerreira, pois não sucumbiu a dor e foi mais longe, conseguiu transformar essa dor em luta, não desistiu. Um dia você disse que amor de mãe deveria ter mais poder, mas seu poder supremo está justamente nesse amor e é tudo que Flávia possui de mais sagrado e abençoado.
Eu sempre digo que uma tragédia não precisa ser coletiva pra ser considerada uma tragédia. Infelizmente nossos governantes e nossa justiça não costumam dar importância a fatos isolados...
Odele, eu também sou mãe e sinto sua dor, fico triste imaginando o seu sofrimento e indignação. Sinto-me envergonhada pela justiça lerda do meu País, pelo descaso com Flávia e com tantos outros casos que mereceriam total atenção! É inerente a minha vontade o sentimento de impotência diante desses absurdos desumanos.
Desde que soube do caso de Flávia, eu rezo para que ela se recupere um dia. Não somos nada sem sonhos e esperanças, e eu ainda acredito em milagres. 
Quero deixar pra você aqui, a minha oração de todos os dias, a oração da serenidade: 
"Concedei-nos, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar,coragem para modificar aquelas que podemos e sabedoria para distinguir umas das outras." 
O termo serenidade é definido de várias maneiras: a calma, o sossego, a paz, e tranquilidade, a paz da mente, o equilíbrio emocional, o estado não perturbado, o sangue frio e o domínio de si. Contudo, do ponto do vista prático, talvez a melhor definição seria “a capacidade de viver em paz com os problemas não resolvidos". A oração da serenidade fala em “aceitar as coisas que não podemos modificar”. A aceitação não deve ser confundida com a indiferença. A indiferença deixa de distinguir entre as coisas que podem e as que não podem ser mudadas. A indiferença paralisa a iniciativa. A aceitação libera a iniciativa, aliviando-a das cargas impossíveis. A aceitação é um ato do livre arbítrio, mas, para ser eficaz requer a coragem moral de se persistir apesar do problema imutável. A aceitação liberta o aceitante, rompendo-lhe as cadeias da autopiedade. Uma vez aceito o que não pode ser modificado, a gente fica livre para empenhar-se em novas atividades. 
Queria parabenizar você pelo tanto de força e amor que existem em seu coração e Flávia, apesar de tudo, tem muita sorte por ter uma mãe como você. Conte com minha amizade e solidariedade.
Um grande abraço e fiquem com Deus.
(Du)

Para saber tudo sobre o assunto, acesse o blog Flávia, vivendo em coma. que é mantido por Odele, mãe da Flávia.

Vejam por favor, o post da Letícia Coelho sobre o assunto e assinem a petição, divulguem para seus contatos, pois se depender da "pressa" dos Deputados, essa lei ficará anos na fila de votação. É fácil assinar a petição, basta colocar o nome, e-mail e localidade/País.

[Recebido por e-mail o pedido de ajuda da Letícia, nada mais justo que além de assinar a petição, eu divulgue aqui também]

Antecipadamente, obrigada a todos pela ajuda!


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