7 de dez de 2012

Fragmentos de Gaiarsa

O corpo - esse desconhecido
Enquanto nossa inteligência de Civilizados tem 10.000 anos de existência, nosso corpo é o de um…animal que ja está por aqui ha 2 milhões de anos… Não seria bom conhecê-lo mais de perto? Quem sabe ele tem o que nos ensinar...

Como dar vida ao corpo 

Não morremos de velhice nem de doenças. Morremos pela monotonia de vida que mal usa 5% de nossa versatilidade de movimentos; e vivemos falando – o que nos sufoca. Faremos o corpo se mexer de mil maneiras e respirar o tempo todo. Os participantes poderão sentir o que palavras jamais dirão. (esse trecho faz parte do preâmbulo de uma palestra que ele ministrou).



PELE COM PELE! 
CONTATO MESMO? SÓ PELE COM PELE!

Como eu já disse, com palavras apenas o contato é mínimo. Com o olhar, ele aumenta bastante. Mas o contato real se faz pele com pele (penso cá comigo: com-tato só pode ser feito pelo tato) ... então me dê um abraço de despedida e sinta seu coração bater junto ao meu... só isso, e silêncio.

Palavras, Palavras, Palavras... 
O pecado maior de todas as psicologias, embora eu não possa dizer que conheço todas, é que ignoram a relação do olhar, que as pessoas têm um corpo e que esse animal tem 2 milhões de anos. Por isso, a humanidade está se perdendo, por causa das palavras.

As histéricas são mulheres muito vivas

"No início Freud foi estudar Neurofisiologia, só depois veio para a clínica. E ele notou duas espécies básicas daquele tempo: as mulheres, que classificou de histéricas, e os homens, que definiu como obsessivos compulsivos. Então, quase tudo na Psicanálise gira em torno disso. Mas acontece que as histéricas são mulheres muito vivas, num mundo de múmias."

Em família você pode fazer o diabo e ninguém diz nada.

A maior charada com que eu briguei na vida, não esqueçam que 50 anos de psicoterapia quer dizer 50 anos ouvindo queixas sobre a família. Eu fiquei surpreso ao constatar que a família é o único lugar do mundo onde está autorizada a agressão. Porque em família você pode fazer o diabo e ninguém diz nada. Marido e mulher podem se estraçalhar anos a fio. Tanto os que se estraçalham de pancadas como os que se estraçalham com o olhar, frases e tudo mais.

Rede universal de solidariedade na ansiedade

Quando angustiados, entramos em uma espécie de imobilidade: baixa o nível respiratório e a redução de oxigênio no cérebro leva à diminuição da capacidade de coordenação. “O cérebro perde o piloto, então entra em pânico, não sabe o que está fazendo”.

Ironicamente, a pessoa em angústia tende a entrar num círculo vicioso: fica aflita, baixa a respiração, começa a falar para aliviar, mas, com isso, restringe mais a respiração. “Quando falo, eternizo a ansiedade”, constata Gaiarsa. “Mas a primeira coisa que a pessoa faz, quando começa a sufocar, é pegar o celular e conversar com alguém. É a rede universal de solidariedade na ansiedade. 

Gaiarsa: A crueldade humana é gratuita

Deus que me perdoe, mas se me fosse dado escolher – você quer uma câmara de gás ou um navio negreiro? – eu escolheria a câmara de gás. Não tem limites a crueldade humana. E eu insisto, é gratuita. Não tem por quê, nem para quê. Aliás, os filmes hoje, talvez mais os americanos, são de uma brutalidade indescritível. Eles despedaçam o camarada com a câmera em cima. E se eles fazem isso, é porque tem audiência.

O Inconsciente é visível

Passei a estudar Reich – ele olhava para o paciente e assim começou a perceber que o inconsciente é visível – porque as pessoas mostram na expressão não-verbal (faces, gestos, atitudes) tudo o que acreditam estar escondendo...” Quase todas as pessoas que se vêem gravadas em teipe mostram muita estranheza com a própria aparência e a psicologia ignora esse fato básico: meu rosto, que eu desconheço, é quase tudo o que o outro vê de mim.

Diálogo terapêutico

"Ao contrário do que se diz, o diálogo tido como terapêutico é bem parecido com qualquer outro, desde que ambos os participantes estejam interessados um no outro." ( no livro: O Olhar, pg 55)

Medo - principalmente do Outro

A mim parece que sofremos de mania de pequenez.
Qual o homem que se assume em toda a sua grandeza natural? Em vez de admirar, nós invejamos - por não termos coragem de fazer o que a nossa estrela determina.
O Medo - eis o inimigo.
O medo, principalmente do outro, que observa atentamente tudo o que fazemos - sempre pronto a criticar, a condenar, a pôr restrições - porque fazemos diferente dele.

O controle do Sexo

O psicoterapeuta e escritor José Ângelo Gaiarsa diz que uma das explicações possíveis para tanto controle da sexualidade alheia reside no fato de que, quanto mais o indivíduo amplia, aprofunda e diversifica sua vida sexual — e isso significa transgredir —, mais coragem ganha para fazer outras coisas, questionar outros valores. Começa a viver com maior vontade e decisão. Pode começar a se tornar perigoso. Ele conclui que não deve ser à toa nem por acaso que as forças repressoras de todas as épocas se voltaram tão sistemática e precisamente contra a sexualidade humana.

Até os 4 anos

"Até os 4 anos, mais ou menos, a criança aprende 90% de tudo que vai saber a vida inteira, e o volume do cérebro, nessa idade, já está com 90% de sseu volume final. Se você compara o cérebro de uma criança de 4 anos com um de adulto não dá nem para notar a diferença.

"A partir daí, ou pouco depois, a criança entra na escola e seus movimentos são limitados brutalmente. E começa o blá, blá, blá, o aprendizado só pela palavra. E a partir daí vamos virando autômatos... A palavra tem um valor apenas genérico, estatístico... Se eu falo para você, por exemplo, peguei a tesoura e coloquei na mesa. Se você não estiver vendo o que estou falando, com certeza a minha tesoura e a minha mesa não terão nada a ver com a tesoura e a mesa que estão na sua cabeça. Só quando eu te mostro a tesoura e a mesa das quais estou falando é que nós vamos ter uma comunicação efetiva.

20% das Informações tem alguma utilidade

O psiquiatra Ângelo Gaiarsa é um estudioso da alma humana. Polêmico, não se limita aos temas clássicos da psicologia acadêmica - tanto que, entre os assuntos de seu interesse que viraram livros, encontramos um curioso Tratado Geral sobre a Fofoca. Gaiarsa interessa-se pelo cotidiano das pessoas. Ele nos informa, por exemplo, que sua observação detectou que apenas 20% das informações trocadas entre as pessoas em qualquer ambiente têm realmente alguma utilidade. O resto é futilidade, é falar por falar. Nesse conjunto, a fofoca reina soberana. Pertencem ao mesmo grupo coisas como falar do chefe, da mulher do amigo ou de tal atriz, sugerindo que todos eles não são o que parecem ser, mas o que tentam esconder.

Psicologia Dinâmica

Proponho um tema para meditação profunda; é a lição mais fundamental de toda a Psicologia Dinâmica:

Só sabemos fazer o que foi feito conosco.
Só conseguimos tratar bem os demais se fomos bem tratados.
Só sabemos nos tratar bem se fomos bem tratados.
Se só fomos ignorados, só sabemos ignorar.
Se só fomos odiados, só sabemos odiar.
Se fomos maltratados, só sabemos maltratar.
Não há como fugir desta engrenagem de aço: ninguém é feliz sozinho.

As Carícias e o Iluminado

Ah! Os outros...
(Fossem todos como eu, tão bem-comportados, tão educados, tão finos de sentimentos...) O que não se compreende é como há tanta maldade num mundo feito somente de gente que se considera tão boa. Deveras, não se compreende.
Menos ainda se compreende que de tantas famílias perfeitas - a família de cada um é sempre ótima - acabe acontecendo um mundo tão infernalmente péssimo.
Ah! Os outros... Se eles não fossem tão maus - como seria bom...

Sexo bem devagar

A humanidade continua a fazer sexo da pior forma possível. E o que aparece na TV é a banalização do sexo, mostra como não se deve fazer. Em entrevista à revista Isto É do dia 1º de março de 2000, o psicoterapeuta Gaiarsa aconselha aos pais que no momento oportuno digam para seus filhos fazerem sexo bem devagar. "Quanto mais comprido, quanto mais carícias, melhor. Diria para ir percebendo, olhando, mexendo, brincando com calma, sem pressa, sem ansiedade".

O Espelho Mágico

“Reich se esforçava para que Freud enxergar-se que, tudo que ele via no neurótico, era na verdade da estrutura social”

José Ângelo Gaiarsa, psicanalista brasileiro, foi mas além. O psicanalista dizia que Freud , Reich e Jung não conheceram a atual civilização que teve inicio com a era do rádio. Gaiarsa estudou profundamente Freud e Jung , e ao fim de 10 anos acabou se enfastiando pela repetição e pelo fato de não ter encontrado referencias ao corpo. Quando conheceu Reich e sua teoria de que a análise só pode ser completa com a observação das reações corporais do individuo, Gaiarsa se encantou, pois nas palavras do mesmo:

“Freud negligenciava a relação visual com seus pacientes. Reich começou a falar com o camarada... observando suas reações corporais. Percebeu então que o inconsciente do qual Reich falava, era inconsciente pra pessoa e não para quem observava”

Desde então o foco da linguagem corporal analisada por Gaiarsa tornou-se a cara. Diferente da psicologia usual, Gaiarsa não só analisa o que foi dito pelo paciente, mas com que expressão e atitude foi dito. Gaiarsa julgava a visão da dependência infantil de Freud como a base do caráter autoritário da sociedade. Enquanto Freud se preocupava com as estruturas psíquicas de maneira a materializar a mente , e Jung se preocupava com as estruturas arquetípicas espiritualizando a mente, Gaiarsa propõe ,assim como Reich, a queda do pensamento desagregador de mente e espírito. Gaiarsa atacava a dicotomia, afirmando ser as duas coisas expressões da mesma coisa.




Mas é a cara do individuo que mas interessa o psicanalista, essa que constantemente olhamos e não vemos no espelho. Em seu livro “O espelho mágico” , Gaiarsa afirma que a cara do individuo vê no espelho, é aquela que ele quer ver, sendo o outro mas propicio a conhecer o rosto alheio do que o dele mesmo e vice versa. O corpo fala, basta olharmos bem! Para o bom observador todo mundo está nu sendo-lhe possível saber quem e porque é o individuo, que tipo de repressão sofreu e a que tipo de comportamento rebelde ou submisso essa repressão o levou! A esse conjunto de reações corporais que vai dês da postura aos pequenos gestos, Reich chamou de “couraça muscular do caráter"... É a nossa mascara e armadura social, nossa defesa e refugio... é a tensão que se mantem no corpo culminando naquilo que gostaríamos que o outro visse!

De nos mesmos temos pouco, e o muito que nos foi dado pelo fenômeno chamado identificação, nos leva ao desprezo pelo corpo, ao esforço Maximo por adornar a periferia para não vermos aqui fora o espelho do que existe dentro.

Quando lemos o outro, quando vemos que o que a boca diz não é o que o corpo fala, geralmente enxergamos um em detrimento do outro, tamanha a nossa alienação...

Não há recíproca de entendimento porque, quanto mas entendemos o outro menos conciliáveis se tornam as contradições.Estamos sempre prontos a compensar oque vemos com os dados fornecidos pela pertinência de nossa educação e postura diante da sociedade. Maquiamos as deformações que percebemos e engolimos a seco.Sempre estamos prontos a negar oque vemos...

Já dizia Hittler , “ As massas são estúpidas, precisam de alguém para guia-las” e tendo o mesmo provado na pratica o que disse, levando toda a Alemanha a apoiar um genocídio de proporções dantescas, há de se concluir que essa relação de estranhamento se dá a nível macro e micro! Estamos sempre prontos a reconhecer a beleza do outro, a feiúra do outro, o sucesso do outro, o fracasso do outro, mas sempre encaramos as nossas próprias questões como se fossem passagens da vida de outrem! Vemos com muita clareza o lixo do outro , mas a sujeira de nossos próprios porões nos é obscura!.

Gaiarsa aponta a doença, e propõe o tratamento. É preciso erotizar a sociedade e assumir o corpo.

É necessário e urgente abolir os uniformes e a uniformidade.

É necessário romper com as noções de bem e mal vigentes.

Temos que assumir a metade rejeitada...

"...Morro de desespero quando vejo na TV e/ou em conversas, a sexualidade tratada como um problema simples que basta "explicar" para que as pessoas resolvam todos os seus problemas e temores. Para mim, o pior que pode acontecer com a sexualidade é a sua BANALIZAÇÃO!
É algo assim como tratar um LEÃO como se ele fosse um cachorrinho. A banalização da sexualidade é a maior defesa que usamos- coletivamente- contra ELA. É sexo, ora! E admitem todos que não é preciso dizer mas nada. Que é o que se pretende desde o começo. Não mas maldito, APENAS INSIGNIFICANTE. Uma coisa simples e fácil que a gente  faz e esquece - como comer, dormir, respirar, andar. Enquanto não se aceitar oque o SEXO É - NA EVOLUÇÃO DA HUMANIDADE - A RAIZ DO AMOR E DA SALVAÇÃO - da RELAÇÃO entre as pessoas - Estamos continuamente ameaçados pela BOMBA..."


Leia mais sobre José Ângelo Gaiarsa AQUI.

Fonte da segunda imagem
 

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