"Não era amor, era vício" ~ Eu, @simonebrichta & @tatikielber

17/03/2012

Ele nem desconfiava, mas ela acreditava nele como precisava do sol. Chovia sem parar dentro dela. Ele, cego e atemporal. [Du]

Construía sonhos envoltos por aquela imagem - por vezes sem forma, cor ou conteúdo. Eram apenas dois em um mundo de muitos, mas ainda não possuiam a permissão para pertencer um ao outro. [Tatiana Kielberman]

Não pertencer seria desistir. Fenecer seria mais fácil. Ela queria uma chance de viver a realidade impossível. Ele queria partir. Sonhos na contramão. [Du]

Descompassos que não permanecem apenas no sonho: invadem a realidade de ambos. Como deixar partir algo que se construiu por tanto tempo, pluma sobre pluma? Ou seria pedra sobre pedra? [Tatiana Kielberman]

Como continuar viva sem precisar perder a razão? Buscava achar as partes e colar os pedaços do todo. [Simone Brichta]

Ela pouco tinha tempo de encontrar-se no trivial, enquanto procurou elaborar um plano, lembrou das frívolidades do cotidiano. [Simone Brichta]

E o cotidiano a matava, aos poucos, junto com suas esperanças, definhando em sentimentos que não conseguia traduzir em palavras, muito menos em gestos. Ele não sabia o que fazer. Não queria sentir. Ela olhava para o céu e chorava. Fragmentos da paixão estavam dispersos no vento. [Du]

Talvez fosse a hora de, simplesmente, deixar partir. Mesmo prevendo a dor, nada mais adequado ao coração do que seguir regras quando se está desnorteado de amor. [Tatiana Kielberman]

Um coração sem norte é como areia movediça na beira do mar... o horizonte está ali, bem na nossa frente, mas não conseguimos vê-lo, porque mesmo com todas as impossibilidades, caímos à esmo. [Du]

Porque no fundo ela sabia, não era amor, era vício. [Du]



Publicado também no Nostra Dolce Vita
Imagem daqui

Um comentário:

  1. Du,

    quando o amor vira vício cria um passo para a obsessão...

    daí é melhor sair logo para não sofrer demais!

    bjo

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