A poesia da medicina

22/10/2012


Hoje vamos começar uma série de gotas autobiográficas, mulheres maravilhosas que fazem da sua profissão a poesia de viver. Elas irão descrever o modo como convivem com a profissão escolhida, além da paixão pela escrita. Começamos hoje com uma amiga com a qual tenho o privilégio de conviver por mais de 10 anos. Ela tem textos lindos publicados neste blog (para aqueles que ainda não leram, é só clicar aqui) e também é colaboradora e escritora no site Assédio Moral no Trabalho.

Com vocês, Cármen Quadros!



Minha paixão pelas letras remonta aos meus 10-11 anos de idade, quando descobri que escrever era uma forma de expressar dor e alegria, amor e a solidão. Essa descoberta auxiliou na transição da adolescência, possibilitando uma fase de muita criatividade poética. Aos 16 anos já publicava poemas no Jornal Correio do Sul de Bagé (RS), minha terra natal. Também produzi um livreto com meus poemas, intitulado Um Toque de Amor em 1975.

Diante da necessidade de escolher uma profissão estive em dúvida entre a Comunicação Social e a Medicina, e acabei optando pela complexa arte de cuidar da saúde das pessoas.
Estudei na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pelotas, onde me formei em 1983. Fiz especialização em Medicina do Trabalho e Administração Hospitalar em São Paulo e Auditoria Médica em Porto Alegre onde resido e trabalho desde 2000.

Ser médica é uma experiência das mais ricas em se tratando de autoconhecimento e de amor e solidariedade ao próximo. É um aprendizado constante das diversas manifestações da vida, das ameaças que a rondam permanentemente. É uma necessidade constante de busca pelo conhecimento técnico, é também o exercício diário do entendimento da nossa impotência diante dos mistérios da existência. É estar disponível para acolher, compreender e respeitar a dor das pessoas. É manter acesa a chama da vida através da esperança e fé mesmo que todos os recursos técnicos sejam contrários a essa premissa. É a prática permanente da ética.

Exercer a medicina exige compaixão e aceitação dos limites do humano.
Por muitos anos, venho escrevendo, mas com pouca regularidade. Sem planos ou compromissos a não ser com os meus sentimentos. Passei a escrever regularmente desde o inicio deste ano. Foi a forma encontrada para dar vazão aos sentimentos mais profundos e compartilhar o encanto que tenho pela vida. 

Escrever também é uma maneira de permanecer presente e vivo na memória dos outros, o que compensaria de certa maneira a imensa impotência diante da morte.

Finalizo agradecendo a Moça do Sonho pela oportunidade e cumprimentando-a pela iniciativa.

Cármen Quadros
21/10/2012

2 comentários:

  1. Obrigada por aceitar meu convite, Carminha! É uma alegria dividir este espaço tão precioso pra mim com uma amiga tão especial!
    Beijos de muita luz e paz :)

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  2. Dulce,

    Obrigada pelo convite.É uma honra ocupar um espaço nesse blog tão lindo e visitado por milhares de pessoas.Escrever é sempre um prazer , um alento às emoções. E ser médica é um presente da vida, pois nos coloca de frente com o que há de mais humano, a fragilidade , a dor e o sofrimento,possibilitando um resgate permanente de nós mesmos.

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