Nossa sina é se ensinar...

16/11/2012




Educar-se é impregnar de sentido cada momento da vida, 
cada ato cotidiano. 
(Paulo Freire)


Nossa sina é se ensinar... *

Sou gaúcha, nasci na fronteira, em Santana do Livramento (ali quase caindo pro Uruguai). Convivi com duas culturas, dois idiomas, duas moedas, dois estilos de vida. Acredito que isso desenvolveu uma certa flexibilidade na forma de ver a vida. Hoje moro em Santa Cruz do Sul. Ser funcionária pública não era projeto, muito menos sonho, mas aconteceu. Desde minha posse tive altos e baixos com minha profissão. Vivemos, ela e eu, numa DR constante. Trabalho na área da educação (talvez isso explique os altos e baixos); e hoje, mais especificamente, num setor que trata da parte tecnológica da região onde atuo. Tenho viajado bastante nessa função.

No serviço público é comum que o provisório vire permanente, assim como o que se tem por certo mude do dia pra noite; nada é fixo. É uma característica que ainda não sei bem se gosto ou desgosto. Tenho um cargo e uma função por direito, pois fiz concurso, mas de fato, como sou muito curiosa e gosto de aprender, acabo sendo “multitarefa”. Já passei por diversos setores. Nesses quase 19 anos desempenhei minhas funções em duas coordenadorias de educação, três escolas e uma universidade (a qual vi nascer e foi um período de grande aprendizado e alegrias). Tive chefes de direita e de esquerda e aprendi que só mudam as moscas... Eles passam e a gente fica. Fiz vários amigos por onde passei. Conheci pessoas que me ajudaram muito no meu desenvolvimento profissional e também pessoal.

Estou aprendendo a desenvolver a paciência acima de tudo, pois atendimento ao público e burocracia são dose pra leão. Por vezes, ainda me revolto com o sistema (algumas coisas são muito difíceis de aceitar). Esse ofício é um processo de autoeducação que nunca termina. Nesse meio fiz muitas leituras do que vivi e experimentei. Comecei e terminei uma graduação, perdi colegas pra doenças, acompanhei o crescimento de crianças, de jovens e adultos, ouvi e presenciei histórias de vida, passei por uma separação, mudei de cidade, fiz uma especialização. Impressionante o tanto de coisa que cabe em quase duas décadas! Quantas vidas cruzaram minha vida... Vi muitos exemplos a seguir e também a não seguir. Vi muita coisa que não gostaria de ter visto e me entristeci; convivi com todo tipo de caráter, mas também tive alegrias.

Nunca imaginei que aquela tarde de verão que passei torrando no sol, numa fila gigantesca, para fazer inscrição num concurso público iria me agregar tanto. Das amizades com profissionais das mais variadas áreas fui educando o olhar, o ouvido e o espírito. Foi por uma necessidade profissional que fiz meu primeiro blog. Demorou um pouco até que eu tivesse coragem de começar a me expor. Ler é uma forma de viajar. Escrever é uma forma de libertar os pensamentos. Uma coisa foi puxando outra e eu mergulhei no mundo virtual. Nele compartilho minhas descobertas; dele bebo das descobertas dos outros. Tornou-se um hábito (bom).

Se, como diz o saudoso Gonzaguinha, “toda pessoa sempre é as marcas das lições diárias de outras tantas pessoas” **, penso que tudo aconteceu da forma que tinha que acontecer. Mesmo que este caminho seja sinuoso, tento tirar o maior proveito de tudo que se apresenta. Nada é estático, sempre tem alguém diferente na minha frente procurando auxílio e com uma história diferente na bagagem. Algumas viram inspiração. Escrevendo vou trabalhando os sentimentos que me despertam. Tive muitos “professores” e muitos ainda virão.

* Verso da música Sina nossa, do O Teatro Mágico 
** Trecho da música Caminhos do coração, do Gonzaguinha

[Georgia Stella Ramos do Amaral] 



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