Deus de vez em quando me castiga...

12/05/2012

Deus de vez em quando me castiga. Me tira a poesia.
Olho para uma pedra e vejo uma pedra.
[Adélia Prado]

Seria a poesia uma visão deturpada das coisas? Se olhamos para uma pedra, não é exatamente uma pedra que deveríamos ver?

Adélia Prado descreveu perfeitamente nestes simples versos o que a poesia faz. Olhamos uma pedra e enxergamos algo mais ali, algo implícito, algo invisível aos olhos mais realistas, algo que está na alma, muito além da pedra.

E falando em pedra...

Há alguns anos eu fui num coquetel, inauguração de uma exposição de quadros do Miró aqui em Porto Alegre e fiquei encantada com um jardim de inverno montado para enfeitar o evento, nada a ver com Miró, mas com o ambiente. Neste jardim haviam muitas pedras brancas que brilhavam expostas à luz e eu fiquei parada ali um tempão, admirando o que aparentemente, não estava ali para ser admirado.

Falei com uma amiga organizadora do evento e perguntei com a maior cara-de-pau se podia levar uma pedra daquelas para casa! Então ganhei uma que guardo até hoje, como uma jóia... E depois, com uma ideia na cabeça e uma aranha de plástico, fiz uma fotografia.

Foi como dar vida à pedra e à aranha, se é que me entendem...

[Dulce Miller]


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