As janelas da minha vida.

23/09/2012



Tenho uma certa atração por janelas, essas que iluminam as salas e os quartos das casas e que podem ser abertas ou fechadas de acordo com as nossas vontades. Penso que temos poder absoluto sobre as mesmas...

Tantas e muitas vezes observo a vida que passa lá fora e aqui dentro de mim, pelas janelas, sejam essas físicas ou da alma.

Olhar pela janela é distração e diversão. Também é abstração. É o encontro de companhia na solidão que eventualmente nos habita. É observação!

Já vi tantas vidas passarem pelas janelas na grande metrópole ou na cidade provinciana. Flagrantes da vida nos mais diversos horários. Assisti cenas de amores e de horrores, de alegria e dissabores.
Pude ver na madrugada fria mulheres e homens sozinhos nas ruas quase vazias e me espantei pela ousadia e coragem, em tempos de violência desmedida. 

Vi também o caminhar descompromissado das pessoas nas noites de verão.
As janelas permitem testemunhar os sentidos mais primitivos do humano e exercitar a solidariedade e a compaixão.

Debruçar- me na janela instiga a reflexão na busca da resposta para o encantamento que sinto por olhar a vida como expectadora.
Já estive a olhar pela janela as ruas, os jardins, as pessoas e suas diversas manifestações de existir.

Pelas janelas da alma, já derramei lágrimas pelo pensamento triste e assustado e ri solto para celebrar a vida.

Descobri que tenho atração e gosto pelas janelas da alma, da sala, do quarto, que permitem espiar a existência e acalmam a saudade e a solidão.

[Carminha Quadros -  21/07/12]

Imagem daqui
^ Suba