Joana 1 - por @nayarapx

18/10/2012


Ela odeia cigarro.
Seu forte não é café.
(com eles a cena ficaria perfeita)

Joana sentou na cama. Trazia um “Nescau” na mão e na outra um (cigarro?) (não!) livro; “Se eu pudesse viver minha vida novamente”, de Rubem Alves. O título é depressivo, mas é Rubem Alves. :) Começou a ler abrindo numa página aleatória e dá de cara com um poema:

“Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo
– Perdoai!eles não têm culpa de ter nascido...
Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo que existe. 

Morro agora ou depois? – Pensou

Ficou parada e pensando quanto valia essa “ternura apurada” que há dentro da gente. Se ele mesmo dizia que era o que restava, devia ser cara. My god! Ela não sabia que aquilo valia tanto no mercado (não valia, mas ela acreditava). A cada pessoa que passasse por perto ela jogava ternura...

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Eu também não quero saber, depois daquele dia, das ilusões e decepções que Joana sofreu - quando descobriu que poucos estavam dispostos a retribuir -. Jogando fora toda aquela ternura
-
Joana foi para casa e olhava para o espelho do quarto, quando veio o poema retornar a lembrança,

“Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo
– Perdoai! eles não têm culpa de ter nascido...

Olhou, sem o espelho dessa vez, para dentro de si. Chorou. E chorando disse:
- Essa minha ternura é tua! Só tua. E cuida. E guarda.

Quem é “Joana”? “Eu” muito a conheço.

Texto escrito por Nayara Xavier do lindo blog Com-Paixão
 A imagem é de lá também!


E eu? Sou mais uma Joana na vida...



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