Fragmentos de @georgiastella εïз

03/11/2012

Imagem: Flower Bed August, de Duy Huynh.


Sou uma
e sou muitas.
Me perdi
em mim…
Não sei mais
quem sou.

∞∞∞


Eu invejo os pássaros!
Quisera poder alçar voo.
Sentir o vento no rosto,
Olhar o mundo de cima,
E estar mais perto de Deus…

∞∞∞


Estou farta de poréns, todavia, entretanto, contudo…
Estou cansada do “mas”, pois, isto é.
Cheia de “talvez” em busca de certezas.
Cheia de certezas querendo a dádiva da dúvida.
Essas conjunções não me explicam.
Esses sujeitos não me entendem.
E meu substantivo continua simples… singular… desejando orações absolutas.

∞∞∞


Foi casual, pele, físico, efêmero.
Foi um affair, curtição, pegação, só tesão.
Foi passatempo, companhia, tentação.
Foi momento, sedução.
Superficial. Vazio.
Não marcou.
Já passou.
Foi só mais um…
Fui só mais uma…

∞∞∞


Na sua boca, brinco.
No seu sexo, recreio.
No seu peito, descanso.

∞∞∞


Enquanto não posso ter você
Passo o tempo com outras bocas
Invado outros corações…
Invento outros amores…
Tento te matar em mim,
Mas nem por isso te quero menos
Você é meu ponto fraco…
Meu calcanhar de Aquiles
Meu fruto proibido,
Meu pecado anunciado.

∞∞∞


Es-sa sou eu…
Ou pe-lo me-nos
Par-te de mim…
A par-te in-ten-sa.
A par-te tô-ni-ca.
O res-to é pre-tô-ni-ca
Ou pos-tô-ni-ca,
Mas ain-da par-te
De mim.

∞∞∞

[Georgia Stella Ramos do Amaral] 

Dormiu larva, abraçou a mudança e acordou borboleta.

∞∞∞
Prove da minha saliva, beba dos meus segredos. 

∞∞∞

Renda-se à minha renda… Aos meus encantos… A todos os meus cantos… Prendo-te em fendas… Rendemo-nos à paixão…

∞∞∞


Queimei você.
Ou melhor…
Queimei as cartas que lhe escrevi,
Os poemas que fiz pra você.
Uma a uma.
Numa enorme fogueira.
E nem era São João.
Destruí você.
Pedaço por pedaço…
Naquela foto em que sorria pra mim.
Matei você.
Várias vezes.
Repetidas vezes.
Dentro de mim.
E agora eu me pergunto,
Largado nessa cama, bêbado:
Quantas vidas você tem?

∞∞∞


Eu era aquele abajur no quarto
De luz fraca
Num esforço de diminuir a escuridão.
Eu era aquele criado-mudo
Que ouvia confissões.
Eu era aquele toucador antigo
Que servia de apoio,
Que guardava intimidades…
Que revelava suas qualidades e alguma imperfeição.
Eu era mais um objeto
Naquele dormitório.
Ao seu dispor para os momentos de solidão.
Tendo por testemunha quatro cantos, o teto e o chão.

∞∞∞



E fico como uma janela, esperando que alguém chegue, se debruce no meu parapeito e mire a paisagem dentro de mim. 

Links da escritora:



Ponho o coração em tudo e pago pra ver. E é por isso que coleciono cicatrizes que só quem se jogou tem.


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