O deus do anjo

25/11/2012



Um deus foi criado. Monstro concebido. Portador de todas as qualidades.
Um anjo por ele esperava e foi o próprio anjo quem o criou, pelo desejo e pela força, por acreditar que não era impossível.

E deus foi feito à sua imagem e semelhança e o anjo o amou como a si mesmo.
E foi o amor mais puro que o anjo já sentiu.
Só porque ele queria e assim aconteceu.
O anjo então provou do doce sabor da felicidade suprema,  traduzida em mãos, lábios, cheiro, gosto e gozo.Tudo real.

Mas deuses idealizados não resistem por muito tempo e o seu sucumbiu pela vaidade, que não foi pressentida pelo anjo...
E o anjo provou da dor e do sofrimento. E cresceu. Ele sabe que os deuses revelam-se nas guerras e o seu foi revelado sem máscaras, a fórceps, pelo próprio anjo, desconfiado da perfeição da sua obra.
Um punhal cravado não somente nas asas do anjo, mas em seus sonhos mais puros.

Ilusão consentida.

E como numa maldição, a criatura foi sacrificada pelo criador.
Seu deus é agora humano e só, como sempre foi antes e sempre.

Para o anjo sem asas, resta a certeza de que amou e foi amado, intensamente e do jeito mais bonito que já existiu. E esta certeza faz com que o anjo seja feliz só pela lembrança do que viveu.

Seu deus foi sagrado e assim o será, para sempre.

[Dulce Miller]

imagem daqui
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