7 de mar de 2013

Era uma vez dois silêncios...


Era uma vez dois silêncios que se penetraram por um pequeno instante, o suficiente para se entregarem, se compreenderem, para entenderem o que era absolutamente inevitável para a vida continuar... e os silêncios se fundiram num desejo antigo, conversas de mãos com agilidade e leveza de mil dedos diabólicos, conversas de pés deslizando, alisando... conversas de bocas, ora nervosas de tão esfomeadas e sedentas, ora tão calmas e suaves que quase sorviam a alma de ambos - a flor das peles desesperadas de tão arrepiadas! 

Conversas de corpos frescos, sossegados, controlados... conversas de corpos suados, endoidecidos, sem rédeas, conversas de sussurros compreensivelmente incompreensíveis, conversas de murmúrios, de gemidos, pedindo, pedindo...

(e o desejo louco conseguiu laçar o amor inacreditável, que mesmo preso às cordas, não queria pôr os pés no chão, o amor que não queria deixar de voar, o amor que não tinha medo de ser carne e de osso e de coração. E o amor indomável se fez indomavelmente domável)

E foi assim, conversas entre sexos desconhecidos, desajustados, secos... conversas entre sexos amigos, encaixados, molhados... e os mergulhos foram tantos que chegaram nas profundezas do prazer, e os limites antigos foram ultrapassados por outros limites. 

Então os dois silêncios abraçados conversaram finalmente, sem uma palavra sequer, apenas com o brilho dos olhares - idioma dos seres apaixonados.

[ Dulce Miller ]



Imagem daqui


2 comentários:

  1. Quando são dois são mais absolutos e intensos.
    Belíssimo texto.
    Abraços

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  2. Como sempre, belíssimo texto! Em tempo: Um fim de semana iluminado!

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