Maria e a estranha mania de ter fé na vida...

08/03/2013



Assim como num rompante, depois de terem pensado por uma tarde inteira, o nome da menina surgiu com uma explosão de risos - Maria. Tão simples e tão complexo, ao mesmo tempo definia muros de imensidão - tudo. 

O que aconteceria depois daquela tarde eles não sabiam, mas podiam prever que não seria fácil para ambos e o nome escolhido nada tinha a ver com destino - coincidência, talvez.

Maria cresceu rápido, o tempo colaborando com a ansiedade de uma vida em plenitude. Sabores, saberes, sentidos. Vivências aprendidas, repreendidas, conquistadas, lamentadas, assim como qualquer outro ser humano, Maria era única, mas ainda não sabia. 

Lembrava dos pais como amigos/irmãos, como cúmplices na sua jornada na terra. Ambos foram embora muito cedo, mas não sem antes ensinar à menina como se comportar no mundo. E ela lembrava todos os dias ao acordar que viver deveria ser sinônimo de alegria ( e era, para ela).

Maria respirava sorrisos, transpirava força e fé na esperança de um mundo melhor que ela só conhecia integralmente dentro do seu coração frágil e incoerentemente, tão enraizado de alma. 

"Ave maria tão cheia de graça, por onde passas os pássaros são flores... Rogai por nós dias felizes e nunca deixeis de lado a estranha mania de nos fazer crer na fé, na vida, pois tudo é infinito e além.Eu creio - amém." a oração que seu pai adaptou especialmente para ela servia como um mantra nos dias nublados. E quando a chuva caía, a renovação se fazia necessária. Maria absorvia tudo na natureza como se fosse parte dela mesma, como se a cada amanhecer pudesse entender um pouco mais do mundo e das pessoas.

Nada de mais, nada de exuberante muito menos insosso, o que definia Maria era o amor sob todas as suas formas. Risos em profusão, lágrimas disfarçadas no travesseiro - seu melhor confidente. Ela acabou compreendendo que certas coisas simplesmente precisavam de alguns "ajustes" para que fossem aceitas sem dor. E tudo o que era complicado para ela, ajustado ao seu mundo, iluminava a mente como uma luz imensa e interminável, trazendo conforto e sabedoria. 

Esta era Maria, um ponto de luz no mundo, que não era ninguém mais além dela mesma. Um ser comum e especial, um sereno-Ser-humano.

*Maria possuía delicadeza e força que é adjetivo inerente à todas as mulheres. Que este dia não seja especial como uma simples data a ser lembrada, mas que todas as Marias sejam valorizadas todos os dias, porque ser mulher em toda sua plenitude, é ser ÚNICA.

[Dulce Miller]



Imagem daqui

4 comentários:

  1. Parabéns pelo microconto, minha querida Dulce! Lindo! Cheio de delicadeza e força, como bem dito e bendito: características de toda Maria...
    Uma escrita iluminada pela sua alma doce e forte!
    Um beijo grande.
    Lila.

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  2. Lindíssimo!Adorei! Parabéns pra ti e todas que aqui passarem! beijos,chica

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  3. Belíssimo, texto, oração, homenagem delicada e profunda.
    Que uso bonito das palavras, você faz.

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