24 de ago de 2013

Pedacinho de céu, ao léu.


Parecia tão pouco, mas era tudo e mais um tantão que não cabe aqui...

Ela só queria um pedacinho de céu pra chamar de seu,  cuidar e cultivar como um jardim iluminado de estrelas a brilhar e trilhar pelo caminho, por onde ela fosse. 
Seria carinho, amizade, e tudo que de melhor coubesse numa canção ou quem sabe,  numa oração.

Mas no caminhar do destino ela descobriu que o seu pedacinho de céu tão amado era terra de ninguém... ela não sabia como arar, nem como adubo colocar para dele cuidar. E quando o céu se transforma em terra, o melhor a fazer é olhar para o horizonte numa busca constante, sem medo do que virá. Pois é certo que virá.

Então hoje ela falava sobre o tempo com o espelho, mas ele replicou suas ideias e seu descontrole, disse que não se pode esperar pelo que nunca chegará, nem por pensamento, muito menos com sentimento. Ela acreditou em tudo que ouviu, a consciência consentiu e ela se permitiu somente ser, sem jamais (nunca mais) pensar em ter. Nem céu, nem inferno, muito menos terra de ninguém. Só precisava de tempo e este sim, era amigo dela.

E falando em tempo, indagava... "meu Deus ontem mesmo era Natal, era Carnaval, a Páscoa já se foi... e agora já estamos praticamente no meio do ano... até quando vou olhar para o céu e pensar no pedacinho que nunca existiu além dos descaminhos do meu coração? Será que tudo, tudo mesmo, foi em vão?" 

O espelho e sua alma responderam em união, de um jeito tão firme que ela acreditou: NÃO!!!

[Dulce Miller]
Imagem daqui


2 comentários:

  1. Quem não quer esse pedacinho de céu ?...
    Eu já o tive...e foi cultivado...e deu flores, três, mas teve um final triste, partiu! onde não há volta: Agora tenho a solidão por companhia...Mas acredita! esse céu existe:
    Dulce é lindo o texto!
    Bjs Célia

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  2. LINDO! Dulce Miller e nada mais é preciso para navegar na poesia!

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