Duas metades de um só...

23/11/2013



Dizem que fomos divididos…e que em cada vida procuramos…a outra parte. Se atentamente dissecarmos o nosso redor, não é com muito espanto que verificamos que praticamente tudo na natureza existe em pares como equilíbrios de energias. O sol, a lua, o homem, a mulher, a atracção, a repulsa, o positivo, o negativo, todos esses Yin´s e Yang´s presentes numa imensidão de aspectos que simplesmente se complementam! Pegando neste mesmo princípio milenar, quem pode afirmar que o positivo é bom, e que o negativo é mau?

O conceito vai, tal como no ser humano, um pouco mais além desta linearidade simplista. De facto, os opostos como todos nós sabemos permanecem distantes um do outro, como extremos de uma escala que na forma de um globo...se liga...e se une...que nem dois meridianos num pólo. Como poderíamos nós, seres detentores de todas as capacidades de vivência, expressão, adaptação e evolução, pensar que na nossa individualidade de independência escaparíamos a esta universalidade de duas metades de um só? Alma Gémea...algo que no baloiçar do vento tantas vezes ouvimos pronunciar com um misto de segredo embrulhado em dúvida e que no mais profundo e íntimo de nós se deseja como certeza! Se se torna complicado falar, ou expressar, o amor ou a química em palavras, que dizer de algo que num abraço de envolvimento reúne docemente isto tudo? Assim sendo todas estas palavras aqui perfiladas, devem ser lidas com a consciência que o que transportam, fica a anos-luz de um facto que requer um sentir e uma vivência.

É condição necessária que todos compreendam que o conceito de alma gémea se movimenta num sentido de um amor pleno, transcendental ao sexo e a todos os prazeres carnais. Um amor que fica inscrito no nosso interior...como o mais profundo de todos... Para se acreditar em almas gémeas, temos forçosamente que reconhecer que vivemos várias vidas e que em todos estes percursos estivemos em contacto com outras almas, que nos acompanharam e protegeram. Tudo isto numa multiplicidade de papéis que à posteriori foram sendo trocados e atribuídos entre cada uma das vivências. Penso que assim se justifica a razão pela qual recolhemos simpatia ou antipatia por alguém que conhecemos no imediato. Não devemos entender isto como uma questão de verdade absoluta, pois todos sabemos existirem casos e casos, mas antes como um reconhecimento de almas. A alma é a nossa essência, a energia que percorre o nosso interior de forma única e individual tal e qual um bilhete de identidade espiritual, que corresponde no campo físico ao nosso corpo, rosto...nome. É esta a forma como somos distinguidos neste plano...pela nossa energia. É ela que identifica toda a diferença, em quem nos toca, e que por vezes num instante traduz intimamente uma sensação inexplicável de Déjá Vu, como quem diz - Eu já te conheço de outras alturas.

Todo este processo de reconhecimento tanto pode ser imediato, como no decorrer de um crescente conhecimento mútuo. Tal e qual uma surpresa interior como quem abre um papel de embrulho lentamente e se vai deliciando com cada momento ou descoberta partilhada. Podem ter passado pelas nossas vidas, muitas ou poucas pessoas, e mesmo não sendo esse alguém identificado logo de imediato, é garantido que é sempre sentido algo de muito especial e diferente. É claro que um reconhecimento deste tipo poderá certamente trazer modificações, transformações, decisões, e realizações de vários aspectos nas vidas dos seus intervenientes. A dúvida muitas vezes instala-se por todos os processos vividos até aí e que servem de condicionantes ou travão à expressão sentimental e corporal vivida. Será mesmo verdade ou estarei a iludir-me? E amanhã será ainda assim? Questões, que todos os dias terão a mesma resposta. O rumo da vida nem sempre decorre como esperado e imensa coisa permanece sempre por explicar no que respeita aos timings de muitas situações, ou talvez não. Encontra-se, sempre que não se procura, ou como refere um determinado autor - O amor não se procura, encontra-se! - assim será também com a alma gémea. Há quem defenda que é necessário, à realização completa, que ambos se encontrem no mesmo nível de consciência e autoconhecimento.

Acredito em almas gémeas, faço-o porque na verdade e como referido não fugimos à mãe natureza. Podem não se chamar almas gémeas, podem ter outra nomenclatura qualquer, mas é certo que todos nós temos algures alguém que será quem nos irá preencher na totalidade, quem nos irá fazer ir mais além da conhecida fronteira que era até então o limite, quem irá tocar onde jamais alguém tinha chegado...o círculo mais íntimo de cada um de nós! E esse alguém, não tem forçosamente que ter os mesmos gostos que nós, forma física idealizada ou objectivos de vida similares…tem somente na essência, o poder de complementar! Talvez o amor definido por esta condição não seja tão grandioso no sentido de inclusive poder mudar o mundo, pois os requisitos são tantos que o tornam incompatível com a sociedade de hoje. Sem dúvida alguma que o figurar de alguém assim, está intimamente ligado aos processos de maturação de cada indivíduo. Não adquirimos maturidade simplesmente por ter filhos, um grau determinado de escolaridade, uma grande cidade como morada, idade predeterminada, entre outros... A maturidade surge apenas associada a dois aspectos: crescimento interior e experiência.

O primeiro surge com o conhecimento de nós próprios, o cultivo de uma essência interior que acaba por ser tão importante para o próprio, como para quem o rodeia. Se não nos conhecermos a nós, como reconheceremos alguém que é uma parte de nós? A experiência por seu lado corresponde ao caminho percorrido. A todo um conjunto de situações de vida tatuadas como uma marca na alma, que servem de aprendizagem e percepção daquilo que realmente queremos. São estas duas simples condições, que libertam a energia que aproxima...quem se identifica...quem se reconhece! Fica aqui apenas uma ideia, que funciona como opinião de algo que é certamente tão subjectivo como a individualidade contida em cada um de nós. Espero que cada um que leia estas pequenas palavras, que como disse ficam a anos-luz, e preencha por si, no seu próprio contexto, tudo aquilo que aqui não está… Pois eu sei que no imediato momento em que clicar Publicar…eu próprio acrescentaria algo mais… Dúvidas?!... Existirão sempre... Mas como alguém diz, “Jamais alguém nos dirá mais verdades, que o nosso próprio coração”. Assim queiramos nós...ouvi-lo!

[ Luís Santos ]
Imagem Pinterest


Um comentário:

  1. Eu acredito muito em tudo isso.E acredite:só ouço a ele.Meu coração.O que sei é que não posso andar falando o que ele sabe,de forma indiscriminada.Porque "nem toda a verdade é para todos os ouvidos".Sobre o texto ,depreendo que muitas vezes essas almas estão tão conectadas que quase conseguem antever pelo que terão que passar e ainda assim não retrocedem.Ou porque tudo tem seu tempo ,ou porque ão conseguem mais conceber a vida sem a existência da outra .Quem poderá dizer com toda exatidão ?!E a descoberta dos seus entendimento quando encarnadas ,apesar de imediata ,precisa ser gradativa ,para que os elos de respeito e confianças mútua se reconstituam com a solidez e plenitude que sobretudo lhes é característica.Eu já havia lido esse texto a algum tempo mas faz tanto tempo...que o havia perdido de vista.Foi muito bom poder rele-lo

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