12 de dez de 2013

Há que se ter...


O amor não pode ser arrancado assim feito parto prematuro, feito vendaval.

Há que se ter tempo de digerir a angústia, de cultivar o desapego.
Há que se ter tempo de transformar o amor em amizade. De outra forma o amor foi ilusão, nunca aconteceu e a dor é expectativa frustrada.

O que mais dói no coração humano é a incompreensão. E essa dor se estabelece em milhares de dúvidas que ficam sem resposta. A pior das aflições é não entender o que acontece no coração do objeto do nosso amor. Compreender e sentir com o coração do outro tornaria as coisas mais fáceis? Talvez sim, talvez não.

Um amor pode ter começo, meio e fim, mas também pode acabar antes mesmo de começar efetivamente. Se ele nasceu de sonhos, os sonhos são nossos e de mais ninguém. Se ele morreu, o problema é nosso também, o outro não tem culpa.

Mas, pensando bem… será mesmo que o outro não tem culpa?

O pior pecado é dizer "eu te amo" sem convicção, porque é fácil agradar alguém desta forma e todo mundo gosta de ouvir que é amado.

Uma frase assim pronunciada no momento certo da carência pode provocar estragos e grandes decepções futuras. É fácil acreditar em palavras quando nos convém. Palavras parecem tão verdadeiras, não? Lamento que sejam apenas palavras e não ações…

Quando isto acontece, se não tem jeito, é hora de fazer uma faxina na alma e purificar o coração de todas as mágoas. É um processo lento e difícil, porém necessário.

O amor dói quando é vivido intensamente só por um dos envolvidos e nunca pode dar certo. E dói tanto quando acaba que é como uma pequena morte.

"Amor e dor". Queria tanto separar as duas coisas, desfazer esta rima...

Há que se ter capacidade de renascer sempre que preciso, sempre que morremos um pouco por causa de alguém. Lágrimas de cansaço e desilusão são inevitáveis, mas não devem ser reprimidas. Chore sem culpa, a alma agradece.

Há que se ter paciência para digerir o amor, tanto quanto a dor.
É preciso tempo. Depois tudo é transformado em lembranças, em lições de vida.

Não dizem que é errando que se aprende? Assim a vida segue seu curso, sobrevivemos.


[ Dulce Miller ]
*Texto escrito em dezembro de 2008, publicado em outro blog que não existe mais.

2 comentários:

  1. True story.
    Quando a gente aprende a digerir amor e dor, o que mais quer é saber ensinar. Triste é nem sempre conseguir. Belo texto, Du! :*

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  2. Um belo texto bem realista...
    os meus parabéns!
    sempre amiga Célia Sousa;

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