De Janeiro a janeiro

03/03/2013


Enquanto digitava com luvas no inverno porque o frio era quase insuportável, eu insistia em ficar ao seu lado, mesmo quando minha cama quentinha chamava, era por sua companhia que eu ficava.

Eu te amei na primavera, enquanto as flores brotavam devagarinho revelando os seus segredos, que fui desvendando aos poucos porque você tinha medo de contá-los.

Te amei no verão com a amizade e a paixão instaladas definitivamente no meu coração, não tinha mais jeito não…

Te amei no outono, você já era meu dono, do meu corpo, da minha alma, de todo meu ser. Mesmo sem te conhecer, eu te sentia como a lua presencia o amanhecer. Todos os dias, todos os minutos, você era meu bem querer.

Eu te amei em todas as estações, por um ano inteiro. Eu te amei com todas as verdades do meu viver e com todas as mentiras do seu querer.

Eu te amei como deveria ser… mas nunca foi.

Um dia, você me atropelou e eu caí no abismo profundo da dor, do que nunca se viu, do que nunca se sentiu com os próprios olhos, com as próprias mãos.

Eu fiquei no chão implorando sua atenção e você se foi para sempre, sem nunca ter chegado, sem nunca ter ficado, sem nunca ter me amado.

E só então  percebi que foi uma via de mão única, mas você me fez acreditar que era dupla. Porém a culpa não é e não foi de  ninguém.Hoje eu consigo ver o que aconteceu como um monólogo compartilhado com um ser tão carente quanto eu me permiti ser.

Eu deixei acontecer.
Porque sempre acreditei que o nosso “the end” fosse um “happy end”.


[ Texto meu, inspirado na música 'De janeiro à janeiro' de Roberta Campos & Nando Reis, publicado originalmente no site Retratos da Alma em abril de 2011 ]



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