(su)jeitos da esperança(mor)

04/04/2013


Angela Regina: 'Só estou tentando, mas sei que posso e podemos juntos...'

Meus pais acharam bonito o nome Angela Regina. Sempre me preocupou o significado: soa bem pretensioso. Mas alguém falou que nome é coisa séria, então procuro ser uma pessoa que busca (na maioria das vezes desajeitadamente) o bom, o belo e o justo. Ao me formar psicóloga, direcionei a vida para estar constantemente em contato com o sofrimento humano, sua busca de amar, amar-se e ser amado. Esse fato, com o passar dos anos, acabou levando-me a reflexões que transformaram minha visão de mundo profundamente.
Em uma de minhas reflexões entendi que meu trabalho poderia ser descrito como “esperançóloga” ou algo assim porque esperança é uma palavra que ganha significado e força em situações extremas, basta você ficar em uma situação difícil para sentir o quanto ter esperança passa a estar no topo da lista de importância na sua vida.
Mas o que é a esperança?
Acho que ela pode ser explicada como um “eu espero”, Uma percepção de que há um horizonte à frente somente visível após o estabelecimento (ou reestabelecimento) de um sentimento de confiança na vida e nas pessoas.
Portanto, para existir a esperança, precisamos experiênciar um encontro verdadeiro, onde o “Eu” busca tornar-se “um-eu-com-o-outro” através da relação de confiança. Mas todo cuidado é pouco, as pessoas geralmente confundem uma relação de troca com uma relação de espoliação, de um “eu” cindido e incompleto que busca desesperadamente sua completude no outro o que leva, invariavelmente, a que tudo termine de forma frustrante e gerando mais desesperança. A fragmentação faz acreditar que, para que o “eu” seja coeso, é preciso que o outro assimile meu pensamento numa simbiose que pouco se parece com comunhão e muito com uma guerra de poder. A fragmentação nos induz a separar o mundo entre sujeito/objeto, eu/não eu. A fragmentação leva a mais fragmentação e nunca a completude.
A alteridade só existe no trasbordamento do eu para o outro, numa diferenciação madura. “alter” é um prefixo em latim que significa “outro” e é nessa relação de diferença existencial com o outro que nos impele sair de uma situação “confortavelmente acabada” para um movimento complexo de interdependência e evolução. A alteridade vê a diferença e encontra a comunhão dentro dela, não há mais uma preocupação para que o outro seja eu. Na tentativa de encontrar a “alma gêmea” matamos o outro na busca de nós mesmos. Mas quando a relação acontece entre sujeito/sujeito, a necessidade de poder sobre o outro se transforma em cuidado e é estabelecida uma relação de complementaridade onde o outro pode estar inteiro assim como você.
A alteridade é a beleza da comunhão com a inteireza do outro. É o crescimento na diferença. Só o Amor sentido como transcendência pode restituir ao outro sua integridade. Só podemos amar o outro como “outro” quando amamos “a diferença” que é o outro. Só privilegiando a diferença com o máximo respeito podemos permitir ao outro sua integridade e liberdade.
A esperança é resultado direto da nossa experiência amorosa, portanto precisa de vulnerabilidade emocional e coragem. Precisamos acreditar que o outro pode nos oferecer algo e que podemos retribuir de alguma forma. Por isso, sentimos esperança quando um amigo nos apoia ou quando vemos um gesto de solidariedade improvável.


Geraldo  
A esperança é muito mais que uma aspiração de felicidade/superação de problemas. Pressupõe descobrir os horizontes visando entender mais a nós mesmos e o mundo que nos cerca. Algo bem mais difícil e profundo, pois corresponde ao sentido da vida, ou seja, sem ela viver não tem sentido. A conexão que faz do “ego” e o “alter ”, na perspectiva do ser amoroso, mostra que autêntica esperança não pode ser individual e nem apoiada em ilusões. Esperança é mesmo algo muito forte. Daí o provérbio, “a esperança é a última que morre”... por isso, os esperançosos, dada a conexão mente/corpo, têm melhores condições de vencer a dor, as doenças e os sofrimentos...


Só atingimos o encontro profundo conosco quando vamos além de nós mesmos...
Eis o grande paradoxo da vida...

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