Eu ~ Clarice e Pessoa...

10/08/2013


Temperamento impulsivo
“Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma ideia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade.
Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. [...] Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei.”

Lúcida em excesso
“Estou sentindo uma clareza tão grande que me anula como pessoa atual e comum: é uma lucidez vazia, como explicar? assim como um cálculo matemático perfeito do qual, no entanto, não se precise. Estou por assim dizer vendo claramente o vazio. E nem entendo aquilo que entendo: pois estou infinitamente maior do que eu mesma, e não me alcanço. Além do quê: que faço dessa lucidez? Sei também que esta minha lucidez pode-se tornar o inferno humano — já me aconteceu antes. Pois sei que — em termos de nossa diária e permanente acomodação resignada à irrealidade — essa clareza de realidade é um risco. Apagai, pois, minha flama, Deus, porque ela não me serve para viver os dias. Ajudai-me a de novo consistir dos modos possíveis. Eu consisto, eu consisto, amém.”.

[Textos extraídos do livro Aprendendo a viver, de Clarice Lispector]


Eu bem que tentei escrever o que estava sentindo hoje, mas não consegui. Então encontrei minha aflição na busca do entendimento de mim mesma e das minhas emoções em todos os parágrafos estampados em um livro, tecido pelas mãos da minha musa das palavras, Clarice Lispector. 

E uma coisa pode não tem nada a ver com a outra, mas acreditem, tem sim... Maria Bethânia interpretando o "Poema do Menino Jesus" de Fernando Pessoa e cantando "O Doce Mistério da Vida"... falam por mim!


"Eu consisto, eu consisto... que Deus me ajude... amém!"

A síntese perfeita
“Sou tão misteriosa que não me entendo.”
[Clarice Lispector]


Imagens daqui

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