Amor, então, também acaba?

13/09/2013

Hoje vou falar de A-M-O-R – uma palavra linda, repleta de significados e que jamais deveria causar dor, ainda mais aquela que dilacera o peito e corrói a alma – quando não existe nenhum analgésico capaz de aliviar os sintomas da destruição daquilo que foi sagrado...

O poema na imagem é do Paulo Leminski
O ser amado vai se afastando e você nem percebe… ou não quer perceber: um cansaço, uma outra escolha, algo que você fez e jamais deveria ter feito, um telefonema que você deu na hora errada… tudo claro e justificado, às vezes com indignação.

Até ao fim respondemos com ingenuidade… Será? Ou quem sabe, com fingida indiferença. E, de um momento para o outro, nos encontramos a sós, num abismo de incertezas e confusão.

Descobrimo-nos do lado de fora de tudo, atirados para a irremediável secura do deserto. Sozinhos e completamente entregues ao sabor amargo da desilusão.

Isso me faz pensar que a distância que vai daquilo que somos ao que estamos convencidos que somos é, na maioria das vezes, muito grande. E nos revelamos sem máscaras somente no fim.

Quando o amor acaba, ou o que faz com que ele acabe, é a revelação em toda a sua crueza do que nós realmente somos: homens ou mulheres sem grandeza nem bondade.

Para mim, é um choque sempre. Para os outros também deve ser.

Mas… nessa altura, a relação tem de acabar no rancor, na amargura? Tem de acabar, sequer?

De qualquer forma, podemos concluir que o ser que tanto amamos não é o ideal, mas é predominantemente desejável, comovente e amável… Claro que sim!

Temos a opção de mendigar amor ou não, de sofrer ou não, de sentir revolta ou não. Somos responsáveis por nossas escolhas e assim a vida segue seu curso, como deve ser, a gente querendo… ou não!


[ Dulce Miller ]
Texto originalmente publicado no site  Retratos da Alma.
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