Apenas o sonho e o vento me levam…

27/10/2013




Ela ficou deitada no sofá a tarde inteira, intercalando a televisão com o rádio... Nada interessante pra ver, nem nada novo pra ouvir. Decidiu desligar tudo, rádio, TV, luzes, celular, fechar as janelas e ficar em silêncio com seus pensamentos. 

Ficar olhando para as paredes e o teto  não foi nada animador, então decidiu se arrumar um pouco e sair pra ver gente, socializar um pouco com o mundo... ela esqueceu que é um tanto quanto anti-social, mas foi mesmo assim. Saiu com receio de encontrar algum conhecido, porque ela não queria cumprimentar ninguém, muito menos conversar.

Tênis, abrigo, luvas, casaco, mãos nos bolsos, cabelos soltos ficando mais desgrenhados com o vento gelado batendo no rosto... cenário perfeito pra quem não tem nada melhor pra fazer e só quer sair caminhando pra ver gente, só ver, que fique bem claro...

Ela fez questão de encontrar os olhos de todos que vinham em sua direção, porque ela sabe que os olhos são a janela da alma, e as pessoas geralmente mostram o que pensam num primeiro olhar. Alguns foram um pouco libidinosos, outros como que perguntavam "por que está me olhando?", outros simplesmente não demonstravam reação nenhuma... e ela ficou de novo com aquela sensação de não pertencer àquele lugar, aquilo tudo não combinava com ela, as ruas, as pessoas, os cheiros, muito menos a paisagem. 

Parou numa praça sem graça e sentou, fechou os olhos, visualizou o mar que ela tanto amava e queria muito, mas muito mesmo o cheiro da maresia, ficar olhando durante horas pro horizonte infinito... mas abriu os olhos e com o coração doendo percebeu que o mar ficava muito longe dali, então teria que viajar pra fazer o que tinha vontade. E não podia viajar, pelo menos não naquele momento. Então se conformou em voltar pra casa e terminar de ler o livro que começou na semana passada, afinal, isso ia ser bem melhor do que ficar andando pelas  ruas, olhando pra tanta gente estranha, tão estranha quanto ela mesma.

[ Dulce Miller ]

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