A metamorfose em mim...

04/11/2013


A vida é frágil e tênue. Pode-se alcançar a felicidade, mas quando ela acaba, vem o desespero. Será melhor mesmo ter amado e perdido, ao invés de nunca ter amado? Eu não sei. A angústia de querer coisas que não se pode ter é devastadora. Talvez seja melhor removê-las do pensamento e fingir que nunca existiram...

Chega de sonhos?
A realidade é mais difícil de ignorar. E a realidade não foi planejada, nem consentida, e deve ser engolida como se fossem sapos.

Tentaram me puxar pelos fios do coração e dar um nó cego. Não conseguiram, ainda bem. Acho que agora só resta recolher os fragmentos e lidar da melhor forma com o desamparo. Mas, a paralisia de não saber o que fazer é quase tão terrível quanto ao fato de apenas não saber. A ironia é quando se sabe muito, mas não as coisas certas. Não posso pegar o vazio e preenchê-lo com significado. Alguma coisa vital foi removida, é a sensação que ficou, como se o corpo continuasse a funcionar apenas pela força do impulso.

Mera ilusão, como todas as outras.

Mas... o que pode ser mais importante na vida, do que a própria vida, com todos os seus erros e acertos?

Paradoxalmente aos sentimentos do momento, o importante mesmo é recomeçar.


[ Dulce Miller ]



É que por enquanto a metamorfose de mim em mim mesma não faz sentido.
É uma metamorfose em que eu perco tudo o que tinha, e o que sou.
E agora o que sou?
Sou: estar de pé diante de um susto.
Sou: o que vi.
Não entendo e tenho medo de entender,
o material do mundo me assusta,
com seus planetas e baratas.
[Clarice Lispector]


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