Pela menina cheirosa com nome de flor, o seu amor.

18/11/2013

Eram flores de jasmim, ele sabia... ou melhor, o cheiro das flores estava impregnado no ar, mesmo não havendo flores por perto, na cidade concreto.
Mas ele sentia o tempo todo. Se havia explicação, não sabia, mas absorvia o perfume como um bálsamo.

Aquilo o deixava com um certo ar de desconfiança sobre si mesmo. Estaria ficando louco? Talvez fosse a lembrança dela, talvez um dia ele esqueceria aqueles dias tão plenos de alegria. Mas ainda não. Tudo tem um tempo certo pra acontecer e ela era como o principal botão de uma camisa que ele usava todos os dias. Algo parecido assim... era parte dele.

Pelo menos por enquanto era necessário lembrar, era preciso entender. Só que ele não entendia, ou não queria, ou não podia... Jasmim era o nome dela. Claro, não justifica a situação, mas quem explicaria tal sensação?

A saudade desmedida e o amor reprimido faziam sua alma sangrar em gotas profundas de desassossego. Ele não queria o desapego, mas ia se conformando aos poucos, com aquele sentimento que doía feito cicatriz aberta cutucada constantemente com uma faca metafórica e afiada.

Era assim que sentia, era assim que sabia sentir, era assim que se isolava do mundo.
Por ela. Por Jasmim. Pela menina cheirosa com nome de flor, o seu amor.
Que morreu tão de repente que deixou seu nome em forma de perfume exalando pelos poros da sua pele.

Era isto, ele descobrira então: Jasmim havia se transformado em perfume e continuava sendo parte dele.
Então ele sorriu chorando e fez um prece:

"Fique em paz meu anjo, que Deus te guarde e conserve sempre em mim, minha Jasmim... meu único e eterno amor"

[Dulce Miller]


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