Inquietudes: Eu, por mim mesma

06/12/2013



Não quero e não vou agir com a intenção de agradar ninguém, quem quer que seja.
Preciso da minha personalidade, do meu eu que grita em opiniões e liberdade de escolha. Não quero me sentir subjugada por pensar da forma que penso e por viver do jeito que escolhi viver. Se tenho sonhos ou não, se tenho objetivos na vida ou esqueci de planejar, o problema é só meu.

Não costumo julgar ninguém, assim como não aceito ser julgada. Tenho plena consciência dos meus atos impensados, das minhas atitudes tardias, do meu exagero emocional. Sou impulsiva e quase sempre me arrependo pelos estragos que isto provoca em mim.
Eu sei também que poderia ser uma mãe ou uma filha bem melhor do que sou.
Poderia estudar mais ou praticar mais exercícios físicos, cuidar melhor de mim e dos que me cercam. 

Eu poderia tantas coisas, mas estou dançando conforme as minhas cicatrizes me ensinaram.
De tudo e de todos, eu só desejo PAZ.
Não suporto discussões infundadas, brigas por estresse, animosidades de qualquer tipo.
Preciso de luz na alma e também no quarto quando tenho pesadelos, porque na maioria das vezes sinto medo e estou só, como se ainda fosse criança. 

Sou ciumenta e juro que não queria, porque aprendi que o ciúme é o sentimento mais inútil que existe, mas quem disse que meu coração entende?
Também sou um poço de carência e incoerentemente me perco nos sentimentos por causa dela, confundo tudo e acabo fazendo muita bobagem. Por isto, vivo brigando comigo mesma, tentando entender minhas tempestades e abismos.

Preciso ser amada pelo que eu tenho de melhor e de pior em mim. Apesar de e além de... É assim que eu amo e não posso exigir menos, por mim, porque eu mereço. 

Eu nunca cheguei nem perto da perfeição e não quero. Sempre haverá um desejo insatisfeito, um sonho distante, algo a realizar. Não importa, gosto de mim do jeitinho que eu sou – existe uma criança que esqueceu de crescer e que habita meus olhos e minha alegria. 

Eu sou assim, imperfeita, cheia de defeitos, mas com uma compreensão imensa do coração dos outros e do mundo.

[ Dulce Miller ]
Imagem daqui 


Não minto pra mim

Pelo o que me diz respeito
Eu sou feita de dúvidas
O que é torto, o que é direito
Diante da vida
O que é tido como certo, duvido
E não minto pra mim
Vou montada no meu medo
E mesmo que eu caia
Sou cobaia de mim mesma
No amor e na raiva
Vira e mexe me complico
Reciclo, tô farta, tô forte, tô viva
E só morro no fim
E pra quem anda nos trilhos cuidado com o trem
Eu por mim já descarrilho
E não atendo a ninguém
Só me rendo pelo brilho de quem vai fundo
E mergulha com tudo
Pra dentro de si
Lá do alto do telhado pula quem quiser
Só o gato que é gaiato
Cai de pé...

[Parte da letra de uma música de Zizi Possi]

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