A culpa é das estrelas?

08/12/2013


"A depressão não é um efeito secundário do cancro. A depressão é um efeito secundário de se estar a morrer. E na realidade quase tudo o é."

É praticamente nesta dura, mas real, linha de pensamento que se inicia a leitura de "A culpa é das estrelas". Toda a narrativa deste romance, envolve Hazel Grace, adolescente com cancro em estado terminal, e Augustus Watters, também ele adolescente e aparente sobrevivente de um osteosarcoma. O destino acabou por os unir, apesar da consciência de doença que ambos conheciam como ninguém e que ainda assim se 'auto.permitiram' a amar. John Green, faz nesta obra, uma abordagem a um tema bastante pesado colocando aqui e além de forma inteligente, subtil e perspicaz a cor do amor e certas tonalidades de humor muito próprio. Não se trata de um livro bipolar, com apenas momentos de alegria e tristeza... Trata.se de um drama, com traços de romance, que envolvem emoções, sentimentos, esperança, negação, morte, amor, vida, e que o torna de certa forma especial e diferente. Na minha opinião toda a estrutura da linguagem e encadeamento da história estão propositadamente preparados para não permitirem que o leitor esqueça o que a doença não vacila em tempo algum...a presença da dor. 

"Pior que um adolescente canceroso. Só mesmo ser os pais desse adolescente canceroso." 

Eis o retrato de uma dor crua e fechada. Pois não interessa magoar ainda mais quem está fora dela, sendo que o que mais importa deixa de ser a dor em si, para proteger quem de alguma forma quer entrar.

"Passei a maior parte da minha vida tentando não chorar à frente das pessoas que me amavam. Você trinca os dentes. Você olha para cima. Você diz a si mesmo que se eles o virem a chorar, aquilo vai magoá-los, e você não vai ser nada mais que Uma Tristeza na vida deles. Você não deve se transformar numa mera tristeza, então não vai chorar, e você diz tudo isso para si mesmo enquanto olha para o teto. Aí engole em seco, mesmo que sua garganta não queira, olha para a pessoa que ama você e sorri." 

Na minha opinião é mesmo isso que confere uma certa grandiosidade aos momentos de alegria vividos pelas personagens principais desta obra e que traduzem no fundo os instantes/momentos que são tudo aquilo que verdadeiramente fica e permanece.

"Enquanto ele lia, eu apaixonava.me do mesmo modo que uma pessoa adormece: primeiro devagar, e depois completamente e de repente."

Penso que seja esta a mensagem deste livro: Ficam espaços preenchidos que muito provavelmente, e de qualquer outra forma, jamais o teriam sido.


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