29 de jun de 2014

Galinha, a mãe.


De todas as situações inusitadas que já presenciei, a maternidade de uma galinha foi de longe a mais delicada. Alguns podem achar que é bobagem, ou que não é nenhuma novidade, mas para mim que sempre achei a galinha um dos bichos mais estúpidos do mundo, é com grande surpresa e espanto que tenho acompanhado o crescimento de três pintinhos protegidos com a maior dedicação por uma galinha capaz de espantar gansos abusados e curiosos que se aproximam com o único propósito de roubar um pouco de ração. 

Cachorros carinhosos e protetores demostrando sentimentos não é novidade pra ninguém. Os gatos também são danadinhos, espertos... mas uma galinha, que é capaz de ficar enlouquecida correndo de um lado para outro quando chega a ração porque não acerta a entrada da cerca do galinheiro... como ela pode ter um instinto materno tão encantador? Hoje eu fiquei observando de longe e fotografei, de tão embevecida que fiquei. 

Pensei nos seres humanos, naquelas mulheres que são capazes de ter um filho e jogar em uma lata de lixo, um bebê, uma vida tão perfeita quanto a de um pintinho... Este pensamento me leva a acreditar que realmente existe algo muito maior do que somos capazes de enxergar, de perceber, mas que é inegável. Algo que é a tradução do amor. E se manifesta de qualquer jeito, em qualquer tempo, nos seres humanos, nos animais, nas flores, nas árvores, em TUDO.


| Dulce Miller |



 

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