12 de out de 2014

dia logando, dia sonhando...



São Paulo, 30 de setembro de 2014

Querida moça do sonho:


Hoje acordei teimosa e resolvi te escrever. Teimosa porque insisto em sonhar, mas você sabe: as pessoas estão cada dia mais hostis  em relação aos que sonham.  Creio que seja porque seus sonhos morreram e elas não souberam enterra-los para usar como adubos para novos sonhos...

Às vezes, acho que a raiva que vem delas, quando conto meus sonhos, deve ser dó... Vai ver elas se preocupam comigo... Sonharam, sofreram e não querem reviver a dor delas na minha previsível, e segundo elas, inevitável dor...

Sabe, vivemos em uma sociedade onde uma coisa natural da vida, o sofrimento, se tornou um grande pecado. Se você sofre pelos seus sonhos, você é ingênuo, ou fraco, ou fora da realidade: um tolo, que mais do que merecer sofrer, deve se envergonhar também de seu sofrimento!
- Será que os teimosos são menos felizes que os raivosos?
- Será que os teimosos são mais infelizes que os que secaram o coração e o tornaram um deserto frio?
- Será que os esquecidos de sonhar são mais felizes que os teimosos de sonho?

Ah! Não. Não são não. Mesmo sofrendo, são mais felizes do que os que fogem do sofrimento. Às vezes os pegamos com “aquela” fisionomia: esboçando um sorriso secreto e misterioso...
O teimoso aceita a morte do sonho, do contrario do raivoso que passa a vida toda com aquele sonho morto no colo sem enterra-lo...

Venha. Vamos sonhar de novo e novamente. Porque, por trás de todo o sonho, esconde-se um desejo: 
O desejo de ser feliz!







Porto Alegre, 12 de outubro de 2014

Querido anjo-amigo-teimoso-sonhador:

Desculpe a demora em responder, mas é que eu precisava daquilo que só os sonhadores compulsivos possuem em abundância, falo da esperança, que em mim andava um tanto sobrecarregada em desestímulo. Talvez tenha sido mesmo pela hostilidade desencadeada pela incompreensão generalizada em relação a tudo que sinto, vejo,  sonho... você tem razão, minha amiga. A maioria das pessoas parece sentir o contrário do que  acreditamos e isso (eu sei) não deveria  incomodar, mas desbota as cores do meu mundo e aos pouquinhos, se eu não tomar certo cuidado, o cinza predomina e empobrece a visão, tanto de ideias novas, quanto dos sonhos que assim como você,  insisto em cultivar.

Sabe, acho que os sonhos não morrem, mas ao contrário do que a maioria pensa, a esperança pode fenecer dentro da alma da gente muito antes do corpo. Esta é uma das poucas coisas as quais tenho certeza na vida. E aprendi também que  somos feitos de carne, sangue e sonhos, por isso mesmo  aquelas  pessoas que esqueceram de sonhar, façam o que fizerem, digam o que disserem, não vão conseguir tirar de dentro da gente esta luz que infinitamente, teima em acreditar.

Então você me pergunta: "Será que os teimosos são menos felizes que os raivosos? Será que os esquecidos de sonhar são mais felizes que os teimosos de sonho? Será que os teimosos são mais infelizes que os que secaram o coração e o tornaram um deserto frio?"

Eu acredito mesmo que ninguém neste mundo consegue sobreviver sem enlouquecer se não cultivar pelo menos um sonho, e um já é o bastante para que a vida  seja ‘sentida’.  Com sofrimento ou na ausência dele, o importante é não se deixar contaminar pelos  raivosos e termos consciência de que a dor, seja ela qual for, deve ser vivida até a última lágrima, pois só assim estaremos prontos para um novo sonhar, desejar, seja como quiser chamar. E minha resposta, assim como a sua é não, mil vezes – não!

Eu vou com você, mesmo  tentando cegar para o que pensam os alheios a nossa verdade de sonhar, de mãos dadas, acreditando sempre que a felicidade é como um sopro em um ‘dente de leão’. Há que segurar no ar os resquícios do vento, no tempo de dentro, que é infinitamente maior que qualquer desilusão, é imensidão!


Deixo um abraço de alma, de quem ad(mira) você de longe, no peito dentro.


Dulce Miller



 

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