Intervenções urbanas – Desperte

26/05/2014

Da construção simbólica à narrativa da rua – a experimentação fotográfica


Nossa primeira ação, Desperte, é realizada a partir da colagem de fotografias em preto e branco que realçam a figura feminina e o seu potencial visual. Inspirado em reflexões sobre a fotografia publicitária e sua vasta exposição no espaço urbano e a própria essência estética, produzimos um ensaio que sugere intensidade e busca desautomatizar o olhar de quem o vê. Através da repetição e da composição de mosaicos feitos com essas imagens, a proposta é ocupar o espaço público com arte. É, ainda, propor a rua como um lugar expositivo que abriga várias linguagens diferentes, além de grafite, pichações, lambe lambes, pinturas e propagandas, por exemplo. Além da busca pela experimentação existe um interesse em produzir um diálogo da fotografia com outras formas artísticas presentes no ambiente urbano.

A obra de arte reprodutível está nas ruas da mesma maneira que a publicidade. Divide espaço com outdoors, letreiros, cartazes e toda informação persuasiva que se alastra pelo espaço urbano. É a partir desse pertencimento que a fotografia ocupa o mesmo lugar. No ensaio Desperte, a imagem feminina em preto e branco sugere força plástica e esteticidade, construídas a partir de um código visual inerente a atração dos olhares do espectador/transeunte.

Se visualizadas em conjunto, as fotografias possuem linguagem uniforme, porém sentido plural. Sob elas foram aplicadas a mesma luz, na qual contrastam sombras, cinzas e brancos. Embora a escolha intencional do preto e branco indique plasticidade, intrínseca a natureza de sua composição, o objeto enfocado traz elementos subsidiados na estética. Talvez não passe de ilusão ou realidade criada, mas a imagem captada comunica. Indica mensagens e códigos subjetivos e subscritos ao universo de quem a recepciona. Nessa construção para o descondicionamento do olhar o despertar fica a cargo de cada indivíduo.

Talvez a única certeza que se fixe seja a reflexão sobre a impermanência e a ilusão. A certeza de que a fotografia nem sempre é objetivável ou retrata fielmente a realidade. E que realidade? A vendida nas diversas mídias? Digamos que ainda assim, esse lugar de convicção pode passar por questionamentos e (des) condicionamentos do olhar. Sinta, sonhe, desperte.

No ensaio Desperte, a imagem feminina em preto e branco sugere força plástica e esteticidade, construídas a partir de um código visual inerente a atração dos olhares do espectador/transeunte.
Na construção para o descondicionamento do olhar o despertar fica a cargo de cada indivíduo.

#desperte

*Dulce Miller colaborou para o Desperte com a frase que aparece no stencil 
“Desperte. Acordar é muito pouco”.



Texto do blog a3 Coletivo, na íntegra.

Siga no Instagram e no Tumblr




 
 

^ Suba