Amor é bicho instruído*

08/09/2014



Quantas vezes ouvimos e falamos: Meu Deus como sofri! Nunca mais! Aprendi umas lições agora! Mas...basta um “não sei o que”, um “num sei quem”, de uma “não sei de que maneira”... e lá vamos nós de novo: Voltamos a acreditar em tudo! Voltamos a acreditar no Amor! 

Isso não acontece por acaso, ou porque somos tolos, ou porque queremos; acontece porque amar é a condição natural da vida! A terra e o ar amam as flores; tudo se relaciona de forma amorosa neste planeta: as árvores crescem e algumas chegam quase aos céus como as sequoias, porque suas raízes foram acolhidas e alimentadas pelo amor da terra. 

Não importa o quanto seja arriscado manter a nossa vulnerabilidade ao amor, só podemos ser felizes nela. Sim, existem pessoas que se fecharam, se isolaram e se tornaram amargas. Mas não queremos isso, não é verdade? Sabemos que ao agirmos assim temos a sensação de quase morte, aprisionamento e sabemos também, dentro de nossa alma, que vida e a liberdade são os princípios básicos da felicidade. 

Acreditamos no amor porque existe um lugar dentro dele que (re)conhecemos intuitivamente, mesmo que não o tenhamos vivido... ainda... Sim, o amor exige coragem, não é coisa para covardes. A etimologia da palavra coragem é: agir com o coração então, é melhor arriscar de novo, acreditar de novo e se colocar vivo novamente. 

Finalizo com Drummond e o verso final de seu poema: "O amor bate na aorta" 


"Daqui estou vendo o amor irritado, desapontado... 
Mas também vejo outras coisas: 
Vejo beijos que se beijam, 
Ouço mãos que se conversam 
e que viajam sem mapa. 
Vejo muitas outras coisas, 
que não ouso compreender..."


Texto de Angela Regina - Psicoterapeuta


 *Título do post de Carlos Drummond de Andrade
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