Um poema (e uma música) a propósito...

15/09/2017



Não sou mais do que uma brisa,
Mas se algum dia tiveres dado por mim,
Já terei valido a pena.
E se tiveres de mim a ideia de uma brisa serena
Então a minha vida terá sido plena.


Vim ao mundo montando um cavalo de guerra
Mas não trouxe a guerra comigo.
Trouxe apenas a ideia de que cavalos de guerra
Também sabem viver em paz
E soldados montados em cavalos de guerra
Podem ser excelentes semeadores.


Vim semear brisas. Vim, munido de penas,
As minhas palavras são açucenas
São regatos, searas e tudo quanto vês
Com a alma.
No dia em que partir
Deixar-te-ei o meu cavalo
Para que ele te ensine
Tudo quanto me ensinou.
Que tal como os homens, aprendem apenas
Que o vento nas crinas é o mais feliz.
Essa brisa serena que ri nas searas, que beija muralhas e lambris
Como beija aquela que se ama e aquela que no-lo diz
Numa brisa. Essa que agora passou. Essa que agora brincou
Com os teus cabelos, com a tua saia…
Se a sentiste era eu que te beijava
Montado no meu cavalo de paz.



| Emílio Miranda em 22/4/2015 |






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