Sonhos Aprisionados

30/11/2015


Ultimamente, tenho pensado muito nos cordões de isolamento que nos impedem de arriscar, de tentar alcançar o que mais aspiramos. O que nos aprisiona nem sempre é um algoz desconhecido ou estranho. Somos prisioneiros de nós mesmos quando encarceramos vontades, na mais profunda masmorra, dentro da alma. 

Deixamos de realizar desejos e planos em nome de renúncias equivocadas. Por teimosia ou tolice insistimos em permitir que a grade da rotina nos limite a uma clausura onde os desejos se acotovelam num cerimonial frustrante. 

E esse hábito cria raízes no mais íntimo de nós. Raízes que acabam por comprimir sonhos e estreitar opções. 

Os mais jovens são os mais assolados por tais contingências, influenciados que são, desde a mais tenra idade, a assumir compromissos no aprendizado de viver. Ensinados a obedecer a regras e a cumprir com obrigações, deixam pouco a pouco que seus pássaros-sonhos se constranjam aos limites do que lhes circunda. 

Sinal de que amadurecemos é a descoberta de que “mais vale um gosto que dez vinténs”. Daí, a libertação é questão de mais dia, menos dia. O presente começa a ser vivido e sorvido saborosamente momento a momento. E o futuro passa a ser o aqui e agora. 

Abre-se a gaiola, soltam-se os grilhões, arrancam-se as amarras e dão-se asas ao imaginário que voa para onde bem entende na realidade com que se depara e que se lhe apresenta ao alcance. 

Em detrimento de se fazer feliz não há mais a circunscrição de espaço ou de tempo. 

Sou hoje uma malabarista exímia em contorcionismos, caminhando sobre a corda bamba do momento que vivo, articulando músculos, nervos e emoções para manter o equilíbrio ao que me é dado alcançar na plenitude do que almejo. Sem mais desculpas ou rodeios vou enfrentando os contratempos com cara e coragem e me transformo na arquiteta do meu próprio destino, libertando meus sonhos aprisionados, restringidos a paredes invisíveis e, mesmo assim, muito sólidas. Que se desatem esses nós. 

As grades que protegem minha casa dos perigos são inevitáveis. Mas as grades que circundam minhas vontades estão caindo como as muralhas de Jericó. O soar das trombetas da sabedoria libertam meus sonhos. 

Busco o que me faz bem e escapo do desagradável porque aprendi a voar sob as coordenadas traçadas pela luz do horizonte. 

Se algo me impede de ir ao encontro do que quero, dou de ombros, inclino a cabeça por sobre o ombro e digo a mim mesma que é simples questão de mais dia, menos dia. Basta isso para voltar o sorriso a face e o brilho aos olhos. 

Sonho libertado tem mais força do que se supõe.


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